02 de Fevereiro – É assinado o Tratado de Guadalupe Hidalgo

Tudo bem, de início você pode até pensar que este é um fato irrelevante para a sua vida – o que talvez possa até ser – e para os rumos da História Mundial. Neste segundo tópico, você se engana. O Tratado de Guadalupe Hidalgo, oficialmente nomeado de Tratado de Paz, Amizade, Limites e Estabelecimento entre os Estados Unidos da América e a República Mexicana, foi o tratado de paz entre os Estados Unidos e o México que determinaria o fim oficial da Guerra Mexicano-Americana, que já rumava a completar seus dois anos. Bem, como o nome do acordo já diz, seu objetivo era amigavelmente estabelecer fronteiras entre os países envolvidos – fronteiras estas que eram muito bem estabelecidas antes do conflito e da invasão americana ao país. Pois bem, expliquemos isto: no ano de 1863, a teoria do Destino Manifesto influenciava diversos políticos americanos, e a “Corrida Para o Oeste”, na qual colonos europeus buscavam uma nova vida na América, se formalizavam cidadãos americanos e rumavam a Oeste, geralmente se fixando em territórios de países vizinhos, o que gerava atrito entre americanos e mexicanos, americanos e ingleses, e até mesmo americanos e nativos americanos.

O resultado, é claro, não seria positivo, e o impasse de pequenos conflitos constantes acabaria por criar uma grande guerra. Esta guerra, chamada posteriormente pelo presidente americano Ulysses Grant de “uma das mais injustas movidas em qualquer tempo por uma nação mais forte contra uma mais fraca”, seria basicamente isto: os estadunidenses esmagariam os mexicanos, que, sem outro meio de escapar da derrota total e incondicional, resolveram ceder o equivalente a metade de seu território para os adversários vitoriosos, que ganharam 1/4 a mais de território, e boa parte da Costa Oeste que atualmente possuem. Este seria o primeiro grande confronto entre nações causado pelo Destino Manifesto, que a maioria de nós estudou no Fundamental II e afirmava que a América era um território cuja salvação eram os Estados Unidos, e que os americanos estavam destinados a conquistar e civilizar todo o continente.

Os mexicanos nos territórios que seriam passados aos EUA tiveram a escolha, num prazo de um ano, de se moverem para Sul, onde ficaria o México, ou de continuarem onde viviam e receberem a cidadania americana, com plenos direitos.

A maioria foi pela segunda opção, mais de 90%. Como indenização (mais do que justa) de guerra pela invasão e pelos territórios tomados, os norte-americanos pagaram cerca de quinze milhões de dólares, que em valores atuais equivalem a mais ou menos quatrocentos e dez milhões de dólares (em extenso porque sim). Gradualmente, os territórios delimitados foram entregues aos americanos, que só se tornariam, com isto, mais ricos e poderosos.

Os termos do Tratado traziam várias garantias ao México, como a de que, por exemplo, pelo artigo XI do referido tratado, o governo americano desestimularia as incursões dos indígenas apaches e comanches dentro do território mexicano, que antes eram incentivadas pelo mesmo. Assim, os americanos foram proibidos de comprar produtos sem procedência confirmada, que viesse de nativos suspeitos, e a América entregaria ao México qualquer refém ou prisioneiro de nacionalidade mexicana encontrado com os índios e levados para dentro de terras estadunidenses. Com as palavras do ditador (digo, Presidente da República, claro) mexicano Porfirio Díaz, concluo este texto: “Pobre do México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

IMAGEM= Mapa dos Estados Unidos do México, feito especialmente para a demarcação do Tratado.

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