26 de Julho de 1930 – João Pessoa é assassinado

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João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque foi um político brasileiro da Primeira República ou República Oligárquica. Seu assassinato no dia 26 de Julho de 1930, após uma derrota na fraudada eleição presidencial de 1º de março do mesmo ano, seria o estopim para o fim da segunda fase da República Brasileira e abriria o pretexto para a passagem ao Governo Provisório de Vargas e o posterior Estado Novo brasileiro.

Nas eleições de 1930, a oligarquia paulistana rompe com a mineira (acaba com a política do café-com-leite, em termos mais diretos) levando o paulista Júlio Prestes à corrida presidencial como candidato do governo de Washington Luís. Prestes convida João Pessoa, governador da Paraíba, a ser o vice-presidente de sua chapa – numa jogada política ousada, João Pessoa envia em 29 de Julho de 1929 a resposta no telegrama do “nego”, em que formalmente se posiciona, juntamente com seu partido, contrário ao governo. Vem a formar a chapa oposicionista com o gaúcho Getúlio Vargas (esse nome é familiar, não?) enquanto vice-presidente, e concorre às eleições, perdendo. No dia 26 de Julho, João Pessoa vem a ser assassinado por um de seus principais opositores políticos dentro do estado da Paraíba, João Duarte Dantas, por disparos de arma de fogo.

A atitude, entretanto, por muitos não é atribuída à divergência política entre João Duarte e João Pessoa, mas sim à invasão feita pela polícia da Paraíba, no governo de João Pessoa, ao escritório de Dantas, e à difusão de cartas íntimas entre ele e a professora Anaíde Beiriz. A União, o diário oficial do estado da Paraíba, no qual “nada era publicado sem a aquiescência” de João Pessoa, fez suspense em anúncios sobre “documentos imorais” encontrados no escritório de Duarte Dantas, que poderiam ser vistos na sede da polícia.

O assassinato, que é bem descrito na imagem, será o estopim para a Revolução de 1930 que leva Getúlio Vargas à chefia de um governo provisório, um mandato constitucional e à chefia do Estado Novo. A capital do estado da Paraíba, que antes era chamada “Parahyba”, tem seu nome mudado para “João Pessoa” logo após a ascensão de Vargas ao poder, nome que se mantém até hoje. A partir da Revolução de 1930 os opositores do grupo político de Pessoa são perseguidos e muitos mortos. O próprio João Duarte Dantas “cometeu suicídio” (segundo a versão oficial) no dia 6 de outubro de 1930, enquanto detido nos primeiros dias da revolução, que começou em 3 de outubro do mesmo ano. A verdade é que foi chacinado por revolucionários. Outros exemplos de mortes de opositores são os da professora Anaíde Beiriz por envenenamento (um envenenamento suicida?) e o de João Suassuna (citado no telegrama da imagem), antecessor de João Pessoa no governo da Paraíba e pai do escritor membro da Academia Brasileira de Letras Ariano Suassuna.

 

IMAGEM= Telegrama da Rádio Cruzeiro a Osvaldo Aranha, noticiando o assassinato de João Pessoa.

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