A Marselhesa

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O Hino da França, uma das canções mais famosas em todo o mundo (senão a mais famosa, e não, não estamos considerando música do Justin Bieber como canção na contagem), não conquistou sua fama à toa: é a síntese da Era das Revoluções e do próprio conceito da Sociedade Ocidental Contemporânea, em que “todo o poder emana do povo”.

Pois bem, acho que todos nós sabemos o que foi a Revolução Francesa e a magnitude do impacto deste evento na História Mundial, não sabemos? Caso não conheça, recomendo dar uma olhada na Wikipédia sobre, porque a Wikipédia é melhor que nada. Pois bem, essa canção é a voz do povo francês nesta revolução (a mais radical do mundo à época), que no ano de sua composição, 1792, encontrava-se à beira do colapso total: com a Monarquia de Luís XVI dando um último suspiro, os revolucionários divididos entre matar, exilar ou coroar novamente o Rei e as Guerras Revolucionárias Francesas se iniciando, algo precisava reacender a esperança dos franceses nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Neste contexto, na parte oriental da França, o prefeito da cidade de Estrasburgo, alguns dias após a declaração de guerra dos franceses aos austríacos, dentro dos esforços de guerra, pede ao oficial e músico Claude-Joseph Rouget de Lisle para que componha uma canção de motivação aos soldados franceses, para animar a frente revolucionária ante os infantes dos Habsburgo. Entre a noite do dia 25 de abril e o dia 26 do mesmo mês, ficou pronta a música que se tornaria o hino francês em poucos anos, o “Canto de Guerra para o Exército do Reno”.

Tudo bem, mais uma canção de rebeldia entre tantas outras. Mas o que diferencia o “Canto de Guerra” a ponto dele vir a se tornar o símbolo da Revolução Francesa? Ele era a tradução do espírito francês daquele tempo: a defesa de uma pátria unida em torno de seu próprio povo, não em torno de um monarca divinamente coroado, a defesa da democracia e dos direitos à população enquanto uma instituição primária que rege toda a sociedade, e no contexto de uma guerra (tanto em termos bélicos quanto ideológicos) pela consolidação desses ideais, o que resume a Revolução Francesa.

O canto passou a ser conhecido como “A Marselhesa” pois foi levado a Paris durante a convocação das tropas revolucionárias francesas de todos os cantos do país. Como os marselheses tinham conhecido a canção, foram do Sul à capital, cortando o país, cantando a “Marselhesa” para motivar suas fileiras. Seis dias depois de sua chegada a Paris, na tomada do Palácio das Tulherias, foi cantada a canção, já popular entre os parisienses como “La Marseillaise”.

IMAGEM= “Rouget de L’Isle Cantando La Marseillaise”, por Isidore Pils (que não foi contemporâneo de Rouget de Lisle).

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