A batalha de Lepanto

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A batalha de Lepanto, travada em 7 de outubro de 1571, muda o curso da própria história ocidental ao parar o antes indomável avanço otomano, que naquele momento se estendia sobre o Mediterrâneo, ameaçando o comércio das cidades itálicas com os territórios do mediterrâneo oriental que outrora lhes forneciam grande parte de suas riquezas. O estopim deste processo ocorre com a conquista por parte do Império Otomano da ilha de Chipre, que poderia garantir aos turcos o domínio de todo o mar e que acaba por levar os venezianos a pedir o apoio de outras potências europeias.

Foi para barrar esta investida muçulmana sobre o mare nostrum que se criou a Liga Santa, chefiada pelos Estados Papais e envolvendo outra nação católica mediterrânea que temia a ameaça dos islâmicos assim como Veneza – o Reino de Espanha. Junto deles, a Sicília e Nápoles dos Habsburgo, assim como outros portos comerciais itálicos como Gênova e Savoia. Também teriam participação ordens militares religiosas como os Cavaleiros de Malta (vale lembrar que Malta era uma ilha constantemente assediada pelos otomanos, na época o grande Cerco de Malta nem tinha completado dez anos).

A liga era chefiada pelo bastardo de Carlos I da Espanha, João da Áustria, famoso por suas honras militares. Foi ele o comandante da esquadra de 206 galés e 6 galeaças (galés com imenso poder de fogo) que afrontou, na costa de Lepanto, na Grécia, a frota de aproximadamente 222 galés turcas e algumas dezenas de galeotas (pequenas galés). Os otomanos traziam 13 000 marinheiros experientes, da Grécia, Síria, Egito e outros, e 34 000 soldados, além de 40 000 escravos remando para mover suas galés. Os europeus tinham 28 000 soldados, além de por volta de 40 000 homens mantendo a esquadra em movimento. Embora em menor número, a armada cristã tinha o maior poder de fogo. O equilíbrio de forças era evidente.

A primeira intenção da esquadra cristã era de romper o cerco do inimigo à colônia veneziana de Famagusta, no Chipre, mas “no meio do caminho” a frota islâmica que zarpara do posto otomano de Lepanto, com ordens do sultão para atacar, apareceu, preparada para a batalha. Assim, João da Áustria, em meio a tensões entre os comandantes navais dos diferentes países católicos que já começavam a entrar em graves divergências, temendo perder o controle da expedição, decide partir para a batalha.

Seguiram-se três horas intensas de conflito, resultando em esmagadora vitória dos europeus, que capturaram ou afundaram 190 navios adversários. Os otomanos, por sua vez, afundaram 12 embarcações inimigas. Vencer Lepanto levou o Mediterrâneo europeu a uma paz com o Império Otomano, que viria dois anos depois ecoando esta batalha. Esta foi a única grande peleja da Liga, que seria desfeita com o posterior tratado de paz. Os otomanos voltariam a atacar alguns anos depois após reconstruir sua esquadra com maior força, mas a perda de seus melhores capitães e conflitos com os persas no Oriente ofuscariam novas grandes conquistas otomanas na região mediterrânea.

 IMAGEM= A batalha foi tão decisiva que em seu quadro representando Lepanto, Paolo Cagliari representa o comandante da esquadra vitoriosa recebendo as chaves do Céu.

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