Guerra do Paraguai: Negros, escravidão e liberdade

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A Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul, entre 1864 e 1870, envolvendo o Império do Brasil, a Argentina e o Uruguai no Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai ditatorial de Solano López, ceifando a vida de cerca de 400 mil vidas ao todo.

Esta guerra exigiu o maior esforço de guerra do Brasil em toda a sua história militar, tendo sido enviados 200 mil brasileiros para o combate.

Cerca de 60 à 70% das tropas brasileiras enviadas eram compostas por negros e mestiços. Muitos eram escravos enviados por fazendeiros, com promessa de alforria e negros já alforriados. Muitos escravos eram incentivados à lutarem como Voluntários da Pátria em troca de sua alforria caso sobrevivessem à guerra.

As tropas negras combateram, em sua imensa maioria, em posições perigosas, quase sempre na linha de frente. Apesar de tudo, não havia distinção racista entre os negros e os grandes comandantes das Forças Armadas Imperiais, como o General Osório, o Duque de Caxias, Marquês de Tamandaré, Almirante Barroso e o Príncipe Imperial Consorte Gastão de Orleans ,Conde d’Eu.

Havia o corpo dos Zuavos da Bahia, uma companhia de voluntários negros incorporada ao Exército Imperial, que remontava as milícias negras coloniais. Usando uniformes distintos, mais de mil homens marcharam para a guerra, identificando-se como defensores negros do Império. Nas palavras do próprio Conde d’Eu, Príncipe Imperial Consorte: “A Companhia de Zuavos da Bahia como a mais linda tropa do Exército” com seus oficiais” inteiramente a par de todos os pormenores do serviço e orgulhoso de seu Batalhão”

Pouco depois de as tropas aliadas atravessarem o rio Paraná e invadirem o sul do Paraguai em abril de 1866, Francisco Otaviano de Almeida Rosa escreveu jubiloso, de Buenos Aires, ao ministro da guerra: “Um abraço pelos nossos triunfos. Vivam os brasileiros, sejam brancos, negros, mulatos ou caboclos! Vivam! Que gente brava!”. O entusiasmo do diplomata brasileiro pelos feitos militares dos seus patrícios não brancos coloca a questão do impacto da guerra na política racial brasileira. Na época, o Brasil era a maior sociedade escravista nas Américas, com um milhão e meio de homens e mulheres escravizados. Mas pelo menos quatro milhões de afrodescendentes livres ou libertos viviam no país e constituíam dois quintos da população total de dez milhões de habitantes.

A Guerra foi uma experiência racialmente compartilhada que forjou a nacionalidade nos campos de batalha.4 A história de Cândido da Fonseca Galvão, mais conhecido como Dom Obá II (o título iorubá por ele adotado no Rio de Janeiro na década de 1880), que serviu numa das companhias de Zuavos Baianos revela a complexidade da experiência de guerra para a população negra. Profundamente monarquista, Dom Obá destacava seu serviço ao Imperador como evidência do seu pertencimento à nação brasileira, mas também publicava críticas sofisticadas da discriminação racial que ele e o resto da população negra enfrentavam.

Ao final da guerra, as promessas aos negros foram parcialmente cumpridas, tendo muitos de fato sido libertos, porém alguns senhores de terras reclamavam sua “propriedade” de volta. Os que foram libertos, apesar de todos os preconceitos, viviam com sua distinta honra de voluntários da pátria que lutaram pela integridade de sua nação, pelo seu Imperador, e tornaram-se verdadeiramente patriotas.

José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, foi enviado pelo Governo Imperial como Ministro Plenipotenciário ao Paraguai, incumbido de criar um novo governo, democrático, para este país. Ocupando este cargo, foi abolida a escravidão na República do Paraguai em 1870.

Estes são soldados brasileiros, que incluem mulatos e negros. Faziam parte da guarda pessoal do Marquês e Caxias.

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