Nova História do Partido Comunista Soviético

Título: A Nova História do Partido Comunista Soviético
Autor: Fedenko, Panas
Editora: Grd
Ano: 1965

Em 1938 o Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) aprovou um documento intitulado “Curso Breve”, no qual contava-se (pelo ‘ponto de vista’ do Comitê e do Líder Supremo, Josef Vissariónovitch Stalin) uma “História do Partido Comunista”, que basicamente alimentava o Culta à Personalidade de Stalin, aumentava o “mito” de Lenin e demonizava os adversários do Líder Supremo, como próprio Trotsky.

O Curso Breve ficaria intocável até sua revisão em 1959, com uma “Nova História do Partido Comunista Soviético”, que é analisada em detalhes por Panas Fedenko, que demonstra as alterações ocorridas e as diferenças até gritantes entre o documento de 1938 e o de 1959, com uma “suavização” do discurso em relação a Trotsky, a mudança de postura perante Stalin (até mesmo acusando-o de incompetente, golpista entre outras coisas) e um “Novo Culto à Personalidade” do então “novo” Líder, Nikita Serguêievitch Khrushchov.

No ‘Curso Breve’ o então líder, Stalin, era considerado um herói e seus erros sempre encontravam outros culpados. Até mesmo seus crimes contra correligionários, como Zenoviev, e sua traição a Lenin, o qual deixou em seu testamento que deveria ser Trotsky seu sucessor. Provavelmente por causa de sua ilegitimidade na sucessão ao maior posto do PCUS que Stalin perseguiu Trotsky, que chegou a publicar um livro intitulado “As Mentiras de Stalin”.

A ação de Stalin quanto à Segunda Guerra Mudial foi inicialmente desastrosa, pois realmente acreditou que Hitler honraria o Pacto Ribbentrop-Molotov, de Não-Agressão entre Alemanha Nazista e URSS; ficou até mesmo surpreso com as ações ofensivas do Füher, segundo alguns de seus companheiros mais próximos. Consequentemente a URSS estava mal treinada, despreparada e sem liderança (Stalin havia aniquilado milhares dos principais oficiais do Exército Vermelho, acusando-os de traição). Mas todos esses erros crassos passam como ‘coisas pequenas’ e irrelevantes, às quais o grande Stalin fora levado por inimigos internos (para variar).

Quando a “Nova História” é publicada, em 1959, nota-se uma mudança drástica no tom em relação a Stalin, com reconhecimento de seus erros como estrategista, crimes contra correligionários e até acusações de traição contra Lênin, perseguição descabida a Trotsky (apesar deste ainda receber diversos e sérios ataques) e muito mais. Tudo isto era necessário para desconstruir o “Culto à Personalidade” de Stalin, principalmente devido à resistência e asco cada vez maiores em relação á sua figura e para preparar o terreno ao futuro revisionismo histórico que seria necessários quando crimes maiores (como Katyn e o Holodomor) viessem à tona, salvando o projeto comunista soviético ao colocar a culpa em Josef Stalin (afinal, sempre é culpa de alguém que ‘deturpou Marx’).

Panas Fedenko expõe o revisionismo comunista a olhos vistos, apontado cada contradição entre os discursos de 1938 e o de 1959, transformando seu livro em um dos documentos mais importantes acerca do Partido Comunista da União Soviética, mas também à capacidade do Movimento Comunista de se reinventar, revisar a própria história e continuar vivo.

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