O bispo e os nativos

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No ano de 1551, Pero Fernandes Sardinha (não, não Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral que reporta em famosa carta nosso território ao rei de Portugal) é nomeado,com 55 anos, o primeiro bispo da recém-criada Diocese de São Salvador. Toma posse do cargo no ano seguinte e renuncia quatro anos depois, a 2 de junho de 1556.

Passamos rápido pelo trabalho deste bispo, nascido na cidade portuguesa de Évora, no Brasil porque sua entrada – trágica – para a História começa com sua renúncia ao cargo e seu fracassado retorno a Portugal.

Ingressa o bispo numa nau com cerca de outros cem tripulantes rumo ao velho continente, mas a nau acaba naufragando perto da foz do rio Coruripe, na costa do atual município de Coruripe – AL. A grande maioria dos que estavam na embarcação, inclusive Dom Pero Fernandes, escapa ilesa do naufrágio. O único problema é que no litoral os esperava uma tribo de indígenas – alguns dizem que caetés, o que é muito provável haja vista que estes eram os antropófagos que dominavam a região – que prendeu o grupo, matou e comeu cada tripulante (exceto um português que sabia o idioma caeté e dois indígenas escravos que estavam sendo levados para a Europa).

Diferentemente do habitual, os caetés não livraram mulheres e crianças de fazer parte do banquete, e nem mesmo o bispo, que comunicou por gestos ser poderoso e homem dedicado a Deus, tipo de pessoa que os nativos costumavam libertar ou trocar por altos valores. Segundo o relato de Simão de Vasconcellos no segundo volume de sua Chronica da Companhia de Jesus, apesar das tentativas de comunicação, os indígenas “deram com uma maça no santo Prelado, abriram-lhe a cabeça pelo meio”.

Anos depois, Mem de Sá organizou, enquanto governador do Brasil, uma represália a este ataque, massacrando os caetés. No governo do mesmo Mem de Sá, chega à América Portuguesa seu segundo bispo diocesano, Dom Pêro Leitão, em 1559.

IMAGEM= Monumento em homenagem a Pedro Fernandes Sardinha, em Salvador

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