O Imperador Dom Pedro II

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No dia 2 de dezembro de 1825, nascia no Palácio de São Cristóvão no Rio de Janeiro, Dom Pedro II, futuro Imperador do Brasil.

“Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, Sua Majestade Imperial Dom Pedro II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil”

Pedro nasceu às 2h30 da manhã do dia 2 de dezembro de 1825 no Paço de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro.

Teve uma infância triste e solitária, não conheceu a mãe que morreu no ano seguinte ao de seu nascimento, seu pai o deixara no Brasil com 5 anos sob cuidados de pessoas confiáveis, tornando então seu filho Imperador a esta idade, e morrera precocemente em Portugal quando o jovem Pedro tinha 9 anos. O jovem Imperador tinha poucos amigos de sua idade, e raramente podia divertir-se pois estava sempre entretido com seus estudos para tornar-se um bom governante.

Diante das crises políticas do Império durante a regência, o povo clamava para que o jovem Imperador assumisse seu papel mesmo não sendo maior de idade, e vendo nisso uma melhor opção para resolver a crise, Dom Pedro II foi coroado Imperador aos 15 anos a 18 de julho de 1841.

Para consolidar a maturidade de Dom Pedro II, foi-lhe arranjado um casamento coma Princesa do Reino das Duas-Sicílias Teresa Cristina. Eles foram casados por procuração em Nápoles em 30 de maio de 1843. A princípio Dom Pedro não gostou de sua esposa, a achava feia, mas com o tempo aprendeu a ama-la, e quando vieram os filhos o casamento se consolidou. Dom Pedro II teve 4 filhos, Afonso, Isabel, Leopoldina e Pedro, porém ambos os meninos morreram na infância, o que arrasou Dom Pedro e tornou-o desiludido quando ao futuro do Império. Ele via a morte de seus filhos homens como um sinal de que a monarquia estava destinada a ser suplantada.

Graças ao governo excepcional de Pedro II, o Brasil passou a ser visto mundialmente como um Império próspero e moderno, um país inigualável na América exceto pelos EUA, em patamares próximos. Durante seus 49 anos de governo (58 como Imperador), o Brasil tornou-se uma potência emergente, desenvolvido, foi industrializado, era uma das nações mais importantes do mundo ao lado das potências europeias e dos EUA. O Brasil saiu vitorioso em 4 conflitos internacionais, dos quais 3 guerras: Guerra do Prata, Guerra do Uruguai e Guerra do Paraguai, além de derrotar diplomaticamente a maior potência do mundo na época, o Reino Unido, na chamada Questão Christie. Mais além disso, o democrático sistema imperial e o Imperador garantiam liberdade individuais, liberdade de imprensa, liberdade de expressão, a níveis extremos inclusive, o que permitiu o surgimento de alguns Partidos de caráter republicano.

O Imperador Dom Pedro II era um abolicionista, nunca possuiu escravos e por várias vezes forçou a aprovação de leis no senado que garantissem a gradativa abolição da escravatura. Até ameaçou abdicar caso leis abolicionistas não fossem aprovadas. Durante suas viagens internacionais, pagas com seu dinheiro próprio de seu salário, sua filha a Princesa Imperial Isabel ficava como Regente do Império. Numa dessas viagens à tratamento médico na Europa, a Princesa-Regente Isabel assinou sancionou e assinou a lei que extinguia de vez a escravidão no Brasil. Ao saber da notícia, Dom Pedro, debilitado, deitado em sua cama num quarto de hotel em Paris, com voz fraca e lágrimas nos olhos, murmurou: “Demos graças a Deus. Grande povo! Grande povo!” e desatou a chorar copiosamente.

Ao retornar de sua viagem em busca de tratamento médico na Europa, com a saúde melhor, Dom Pedro foi recebido com um entusiasmo jamais visto. Da capital, das províncias, de todos os lugares, chegaram provas de afeição e veneração. Com a devoção expressada pelos brasileiros com o retorno do Imperador e da Imperatriz da Europa, a monarquia aparentava gozar de apoio inabalável e parecia estar no ápice de sua popularidade.

Entretanto, um grupo de militares do exército, influenciados pelo positivismo e pelo republicanismo, juntou-se a políticos republicanos e a elite escravocrata descontente com a abolição e por não terem recebido uma indenização do governo imperial, o que os fez passar a apoiar um novo governo que os indenizasse, e deram no dia 15 de novembro de 1889 um Golpe de Estado, derrubando o Império e depondo Dom Pedro II. O Imperador que estava em Petrópolis foi avisado e retornou ao Rio de Janeiro no dia seguinte. Durante todo o processo Pedro II não demonstrou qualquer emoção, como se não se importasse com o desenlance. Ele rejeitou todas as sugestões para debelar a rebelião feitas por políticos e militares.

Quando soube da notícia de sua deposição, simplesmente comentou: “Se assim é, será minha aposentadoria. Trabalhei demais e estou cansado. Agora vou descansar”. Diante da partida da Família Imperial do brasil levando nada além de algumas roupas, o Governo Provisório da República, a mando do Presidente Marechal Deodoro da Fonseca, ofereceu a Dom Pedro uma imensa quantia em dinheiro para que pudesse viver se u exílio com sua família, algo equivalente em torno de 4,5 toneladas de ouro, mas Pedro negou e disse: “Com que que autoridade estes senhores dispões do dinheiro público”. Dom Pedro e sua família foram mandados para o exílio na Europa, partindo em 17 de novembro.

A esposa de Dom Pedro II, Imperatriz Dona Teresa Cristina, faleceu de desgosto em 23 de dezembro de 1889 em Portugal, em seus primeiros dias de exílio na Europa. Dom Pedro não demonstrou muito sentimento a frente dos outros, mas fora várias vezes visto chorando com a mão elevada a sua face enquanto lia seus livros.

O então ex-Imperador do Brasil instalou-se num modesto hotel em Paris, França, onde residiu até sua morte a 5 de dezembro de 1891.

Imagem: Dom Pedro II vestido como Almirante aos 44 anos de idade, 1870.

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