Os Deuses Malditos: Luchino Visconti e a Promiscuidade no Totalitarismo

Decadência familiar, violência, maquiavelismo, disputa por poder e crimes, é assim que começa o grandioso e brilhante filme do cineasta italiano Luchino Visconti (1906-1976) “La Caduta Degli Dei” (em alemão “Gotterdamerung”, e com dois títulos em português, “Quando Caem os Deuses” e “Os Deuses Malditos”), lançado em outubro de 1969.

No ano de 1934, Visconti estava na Alemanha, e ali se deparou com a decadência moral e espiritual da República de Weimar, já comandada por Adolf Hitler. A podridão exalada pela sociedade alemã deu “asas” à imaginação do cineasta que, a partir disso, produziu sua obra prima. Só uma sociedade à beira da falência moral, familiar e religiosa, poderia originar o filme, que possui um espetacular fundo histórico em que flagra o estrito e promíscuo relacionamento entre a aristocracia alemã e o Partido Nacional-Socialista.

O “boi de piranha” seria o cansado Barão Joachim Von Essenbeck, que representa a figura de um grande magnata da indústria siderúrgica alemã. No jantar de seu aniversário, o velho Barão aproveita a reunião da família para fazer o anúncio que marcaria o princípio do fim (com a vênia paradoxal) dos Von Essenbeck: sua indústria siderúrgica pactuaria com os nazistas.

As palavras de Essenbeck desencadeiam uma imensa dissensão familiar. Logo em seguida, o barão é brutalmente assassinado, e aquele que se opôs frontalmente à sua decisão é rapidamente acusado de ser o assassino. Com o desenrolar do filme, a convivência estreita entre os membros aristocratas da família Von Essenbeck e a ascensão de Adolf Hitler é mostrada, de modo a exigir do espectador uma extrema atenção para os detalhes. Um exemplo desses detalhes é que a mobília da mansão dele passa gradualmente conviver com os diversos estandartes e insígnias do partido nazista.

Do inicio do filme até seu desfecho final, podemos ver com grande nitidez como os aristocratas da Alemanha, que nesse caso são os Von Essenbeck, ajudaram e fomentaram o mal que, em poucos anos, iria estrangulá-los lentamente até sua própria morte (e, ademais, o partido acaba também ficando com os bens pertencentes à família1).

Atualmente no Brasil, vemos casos semelhantes ao da família Von Essenbeck: acham que fazer parceria com o governo irá salvá-los da fúria estatal e torná-los cada vez mais ricos¹. Mas pobre e ingênuo é aquele que pensa assim, pois Lenin já explicitou tudo o que o movimento revolucionário acha sobre a burguesia numa frase sua, célebre e sintética: “Vou comprar da burguesia a corda para enforcá-la”2. Com relação a isso, basta observar o andamento do processo e as prisões na fatídica Operação “Lava-Jato” no Brasil, na qual grandes empresários que sustentam o governo estão sendo presos ou perdendo bens.

São através desses diversos exemplos tenebrosos ao longo da história que percebemos, desde o ano de 17893, o fenômeno de muitas pessoas depositarem suas crenças cegas em movimentos ditos “libertadores”, bem como em líderes “salvadores” e messiânicos. Porém, a verdade nua e crua é que muitos desses movimentos (em especial o nazismo e o socialismo/comunismo) foram fortemente financiados por vários banqueiros de Wall Street4. Tanto isso é fato que Hitler e Stálin montaram imensos parques industriais financiados por rios de dinheiro despejados por esses banqueiros.

Em resumo, caros leitores, Luchino Visconti foi profético ao mostrar como funciona esse sistema promíscuo, no qual burgueses, moralmente putrefatos, ajudam o futuro algoz. Basta agora esperar que nas próximas gerações isso não mais ocorra, pois o saldo dessa brincadeira demoníaca foi à perda de “alguns” milhões de vidas que, no século XX, mancharam imensuravelmente a história humana num banho sanguinário e de carnificina.

Bibliografia:

1. VOSLENSKY; Michael Sergeyevich. A Nomenklatura.

2. Vladimir Illitch Lenin.

3. BURKE; Edmund. Refleções Sobre a Revolução na França.

4. SUTTON; Antony.Wall Street e a Revolução Bolchevique.

Wall Street e a Ascensão de Hitler.

Por: Salomão Campina

 

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