A queda do muro de Berlim

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Entre todos os eventos ocorridos nos dias 9 de Novembro na História da Alemanha, este é o mais marcante. Não representa apenas o fim de uma construção que separava os berlinenses do Oeste e da República Federal da Alemanha (dominada pelos EEUUA, França e Reino Unido) e do Leste, da República Democrática Alemã (dominada pela União Soviética). Representa o fim de uma era de divisão, a queda da cortina de ferro em si. 


A partir da destruição do muro, a humanidade deixaria de ser dividida por regime e forma de governo, ou ao menos deixava de ser formalmente segregada como tal. Entendamos o motivo: a Guerra Fria estava em seu auge no ano de 1961, quando começou a construção do muro, feita pela República Democrática Alemã, socialista. Esta se iniciou com o objetivo de parar a emigração massiva de berlinenses ocidentais para o exclave da Alemanha Ocidental de Berlim Ocidental, em que quem mandava eram os Aliados (EEUUA, França e Reino Unido) e quem regia a vida das pessoas era o capitalismo. 


Este muro solidificaria a Cortina de Ferro, uma barreira imaginária entre os países socialistas e capitalistas, e mostraria a que ponto a Guerra Fria, a batalha ideológica, a nossa sociedade como um todo poderia chegar. Um muro, com cercas elétricas, cães de guarda, torres de vigia e soldados armados com ordem de matar quem quer que quisesse passar para o outro lado. Familiares, do dia para a noite, não podiam mais se ver. Mães e filhos separados, pelo motivo de morar em um outro distrito da cidade, dominado por outro regime. Justo a União Soviética, cujo hino nacional se chamava “A Internacional”, e pregava a união de todo o globo sob o ideal do comunismo e da igualdade de Karl Marx. Aí vai um trecho: “Senhores, patrões, chefes supremos; nada esperamos de nenhum; sejamos nós que conquistemos; a terra mãe livre e comum”. Sentiu a hipocrisia? A Alemanha e seu povo já sofria o pior dos ultrajes: Fora partida ao meio e entregue a estrangeiros. Agora, Berlim, a capital nacional, tinha sido, em concreto e cimento, dividida ao meio, cortada em duas. 


O muro duraria 28 anos juntamente com a divisão da Alemanha e com a Guerra Fria, com o Mundo sempre a um passo de uma guerra nuclear de dimensões catastróficas. 


Os Aliados, que já tinham passado aperto durante o Cerco de Berlim, em que as linhas de suprimentos ao exclave da República Federal da Alemanha foram completamente cortadas por Joseph Stalin, que assim forçava os países adversários a lhe entregarem o resto da cidade sem recorrer a um conflito belicoso, não tomaram atitudes drásticas quanto à construção: um protesto ou outro viria dos líderes das nações, mas nada muito efetivo. Ronald Reagan afirmaria, à frente do Portão de Brandemburgo, famoso ponto turístico berlinense, uma famosa citação: “Sr. Gorbachev, abra o portão, Sr. Gorbachev, derrube este muro!”. Assim, desafiava Gorbachev, líder da União Soviética à época, a acabar com o Muro de Berlim e finalizar “com chaves de ouro” o processo de diálogo que estava sendo estabelecido entre o Bloco Capitalista e o Bloco Socialista. 


No ano de 1989, com o aumento dos protestos e da pressão popular pelo direito de ir e vir, no fatídico dia de nove de novembro, um místico dia nas terras alemãs, um mal entendido ocorreria: Gunter Schabowski, da imprensa da Alemanha Oriental, daria um comunicado oficial antes do tempo, anunciando a abertura da fronteira interna entre a Alemanha Socialista e Berlim Ocidental. O comunicado estava previsto para 10 de Novembro, pois os órgãos governamentais e as Forças Armadas deviam ser avisadas e informadas antes do anúncio. Em questão de horas, milhares de pessoas estavam nos postos de guarda do muro, pedindo aos soldados que abrissem a fronteira. Estes, confusos por não terem recebido ordens e tendo uma multidão à sua frente, deixaram com que o povo passasse, e na noite do dia 9 de Novembro de 1989 começaria a destruição do famigerado Muro de Berlim, num primeiro passo para a total reunificação alemã. Na manhã do dia seguinte, o muro começaria a ser efetivamente esmigalhado, embora já estivesse sendo ocupado desde a noite do dia 9. Berlinenses que nunca se viram se uniram em prol da união nacional. Deputados cantaram o Hino Alemão espontaneamente, durante sessões do Parlamento. 


O sentimento de ser alemão e o orgulho disto estava de volta aos lares berlinenses, após quase três décadas de divisão causada pelo muro. A “queda do muro”, como é conhecido o evento histórico, marca formalmente o fim da Guerra Fria e da Cortina de Ferro. Uma nova era, de efetiva globalização, estaria por vir.

IMAGEM= Manifestantes ocupam o Muro de Berlim em frente ao Portão de Brandemburgo, a Nove de Novembro de 1989, há exatos 25 anos atrás.

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