As grandes navegações chinesas

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Em 1368, destronada a dinastia Yuan, os Mongóis perderam grande parte da China para a rebelde dinastia Ming. Os chineses tinham estabelecido uma vasta rede de relações comerciais na Ásia, Arábia, África Oriental e Egito). Entre 1405 e 1421 o terceiro imperador Ming, Yongle, patrocinou uma série de missões tributárias de longo curso no Oceano Índico sob o comando do almirante Zheng He.

Para estas expedições diplomáticas internacionais foi preparada uma grande frota de novos juncos a que os chineses chamavam ba chuan (navios do tesouro). O maior destes navios pode ter medido até 121 metros (400 pés) da proa à popa, com milhares de marinheiros envolvidos nas viagens. A primeira expedição partiu em 1405. Pelo menos sete expedições estão bem documentadas, cada uma maior e mais cara do que a anterior. As frotas visitaram a Arábia, África Oriental, Índia, Arquipélago Malaio e Sião (actual Tailândia), trocando mercadorias pelo caminho. Presenteavam ouro, prata, porcelana e seda, em contrapartida recebiam novidades, como avestruzes, zebras, camelos, marfim e girafas.

Zheng He

Zheng He nasceu em 1371. Era o segundo filho de um família muçulmana, que também teve quatro filhas. Estudou em Nanjing Taixue (Colégio Central Imperial). Suas missões exibiram impressionantes demonstrações de sua capacidade organizativa e poder tecnológico, mas não produziram grandes resultados em comércio já que Zheng He foi um almirante e um oficial, mas não um mercador.

Em 1425, o imperador Hongxi o nomeou para ser Defensor de Nanquim. Em 1428, o imperador Xuande designou-o para completar a construção do magnífico templo Da Baoen, um templo budista de nove andares em Nanquim, e em 1430 o nomeou para liderar a sétima e última expedição para o “Oceano Ocidental”.

Zheng He navegou a Malaca no século XV e trouxe consigo uma princesa chinesa, a Princesa Hang Li Po. Ela teria de desposar o rei de× Malaca. A princesa foi com seus 1 500 serviçais, que se assentaram eventualmente em Bukit Cina, em Malaca.


Fim das Viagens

Em 1424, o imperador Yongle faleceu. Seu sucessor, Hongxi (governante de 1424 a 1425), decidiu reprimir a influência dos eunucos na corte. Zheng He realizou uma última viagem sob o governo do imperador Xuande (governante de 1426 a 1435). Após a morte do imperador, Zheng He liderou uma viagem final, partindo de Nanquim em 1431 e retornando em glória a Pequim, em 1433. É muito provável que esta última expedição tenha chegado a Madagáscar. As viagens foram relatados por Ma Huan, um viajante e tradutor muçulmano que acompanhou Zheng He em três das expedições, no relato “Ying-Yai Sheng-Lam” (Relatório Geral das Costas Oceânicas) de 1433. Mas, depois disso, as frotas de tesouro chinesas acabaram queimadas junto com várias cartas de navegação e relatos das viagens e Zheng He morrendo durante a última viagem da frota do tesouro, na viagem de regresso após a frota chegar a Ormuz em 1433.

Controvérsias Sobre as Viagens

No livro 1421: O Ano em que a China Descobriu o Mundo, o autor Gavin Menzies defende que uma frota de 1.000 navios comandada por Zheng He explorou virtualmente todo o globo, descobrindo a África Ocidental, a América (incluindo o Brasil), a Groenlândia a Islândia, a Antártida e a Austrália.

Comparação entre os mapas de Fra Mauro (1457) e Kangnido (1402)

Esta tese tem sido descartada com relativa frequência por alguns historiadores profissionais. A cartografia e os textos chineses da época referem unicamente expedições pelo Índico.

Em relação à hipótese Atlântica, existem apenas algumas teorias baseadas largamente em interpretações de um documento europeu da época, o Mapa de Fra Mauro.

Quanto à dimensão dos navios, citada em textos mais recentes, é considerada exagerada dadas as limitações da tecnologia dos juncos. Relatos de Marco Polo e de outros exploradores europeus da época relatam navios de 2.000 toneladas, o que está muito aquém das dimensões indicadas nestas teorias. A frota chinesa que explorou, em diversas expedições, o Índico até à costa africana seria constituída por não mais de 300 embarcações, das quais algumas poderiam atingir as 2.000 toneladas, sendo contudo na sua maioria constituída por embarcações muito menores e mais práticas. Convém ainda lembrar que um junco, mesmo de 2.000 toneladas, seria extremamente vulnerável ao mau tempo no mar, e que as rotas apontadas por estas teorias passam pelo Cabo da Boa Esperança, pelo Cabo Horn e pelos oceanos Ártico e Antártico.

Outras teorias defendem ainda que algumas das expedições chinesas tenham deixado descendentes na América do Sul, entre povos indígenas que apresentam uma doença genética asiática.

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