Kibutz e o fracasso da ideologia feminista na prática

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Em 1975 surgiu um livro que documentava um notável experimento social. Dois antropólogos, Lionel Tiger e Joseph Shepher, haviam estudado sistematicamente a vida de 34 mil pessoas que foram criadas e viveram todo o tempo em um kibutz. Estabelecida na virada do século XX, e funcionando como um presságio da segunda onda do feminismo, a ideologia do movimento kibutz opunha-se firmemente às classificações de gênero. Esperava-se que homens e mulheres fizessem – e quisessem fazer – qualquer trabalho a eles designado. As crianças viviam em dormitórios comunitários e eram criadas por profissionais treinados em assistência à infância, que se comprometiam a educar meninos e meninas da mesma forma. Quando a televisão surgiu, seu uso foi restringido. Os pais visitavam as crianças na hora das refeições e na hora de dormir, mas a comida era preparada comunitariamente, e as roupas eram lavadas em um processo industrial, e, portanto, não havia nenhum ‘segundo turno’ para os cuidados com as crianças e a realização de tarefas do lar. Era uma visão utópica, planejada para apagar quaisquer barreira de gênero ou de classe, e supunha-se que, com o tempo, todas as diferenças de gênero desapareceriam. Todos os trabalhos seriam divididos em uma proporção equilibrada de 50-50.

No começo, os dois antropólogos tinham expectativas semelhantes, mas não foi esse o cenário que observaram. E também não foi o panorama apontado pelos dados coletados. Depois de quatro gerações tentando reforçar a neutralidade de gênero em papéis familiares e de trabalho, entre 70 a 80% das mulheres haviam se encaminhado para trabalhos orientados a pessoas, relacionados, principalmente, com crianças e educação, enquanto a maioria dos homens preferia trabalhar nos campos, nas fábricas, em construção ou manutenção. E, quanto mais as pessoas viviam em um kibutz, mais polarizada se tornava a divisão sexual do trabalho. Dentre as mulheres que cresceram ali, quase nenhuma queria trabalhar na construção, e menos de 16% queriam atuar na agricultura ou na indústria. Enquanto isso, nenhum dos homens queria trabalhar com crianças em idade pré-escolar, e menos de 18% escolhiam dar aulas para o ensino fundamental.

Os membros do sexo feminino da fazenda coletivista haviam solicitado ficar próximos a seus filhos com mais frequência do que os intervalos designados para as refeições e a hora de dormir. E, quase da mesma forma que o panorama atual, as mulheres e os homens demonstravam ter fortes preferências pelo tipo de trabalho de que mais gostavam. Eles podiam ser estimulados, seduzidos e, até mesmo, forçados a realizar trabalhos que os outros acreditavam que eles deveriam fazer. Mas, com a liberdade de expressar o que queriam, o que era esperado e o que eles escolhiam não eram compatíveis. Impor papéis de gênero completamente neutros para as mulheres, de cima para baixo, não funcionava”

Fracassou nos kibutzim, fracassou na Suécia, na Noruega e em todos os locais onde as teorias feministas foram colocadas em prática.

Kibutz

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