Nióbio, a maior riqueza brasileira?

Nióbio (Nb)

Ao longo dos últimos anos, temos ouvido falar muito sobre um minério chamado Nióbio, que poucos conhecem. Ha todo tipo de boato sobre o assunto, desde contrabando a entreguismo do pais. Este artigo busca informar o leitor a respeito do assunto, alem de discorrer sobre alguns temas pertinentes e diretamente ligados ao tema.

Algumas informações básicas:

O nióbio (Nb), nome derivado da deusa grega Niobe, filha de tântalo, e um dos metais mais resistentes a altas temperaturas e a corrosão, considerado um supercondutor. O mais leve dos metais refratários. Seu ponto de fusão e derretimento fica em torno dos 2468 graus Celsius e seu ponto de evaporação em torno de 4744 graus Celsius. O nióbio tem aplicação em diversas áreas, mas em sua maioria nas industrias automobilísticas, aeroespaciais, mecânica, naval, construção civil, nuclear, entre outras.

O metal encontra-se no solo de diversos países ao redor do mundo, mas o Brasil possui as maiores reservas do planeta, detendo 98% de toda a reserva mundial, seguido por Canada (1,11%) e Austrália (0,46%). No Brasil, as maiores reservas estão em Minas Gerais (75,08% – Araxá e tapira), Amazonas (21,34% – São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo) , e em Goias (3,58% – Catalão e Ouvidor). O Brasil, responsável por 90% de todo o nióbio comercializado no mundo, estima possuir reservas na ordem de 842.460.000 toneladas do minério.

A mineração do Nióbio é a unica categoria do ramo minerador em que o Brasil é líder mundial, responsável por 90% do mercado. A mineração de ferro e manganês, por exemplo, onde o Brasil também ocupa posição de destaque, não chega a 20% da produção mundial.

Um dos defensores mais ferrenhos e ilustres da exploração e regulamentação do mercado do nióbio pelo Brasil foi o Dr Enéas Carneiro, morto em 2007.  Enéas acreditava que apenas a riqueza do mineral já seria a base da riqueza nacional.

O famoso caso Wikileaks, de 2010, vazou um documento do departamento de estado americano, que incluía as minas brasileiras de nióbio na lista de locais e infraestrutura imprescindíveis aos EUA. Em 2011 uma fatia de 30% da CBMM foi vendida a empresas chinesas, japonesas e sul coreanas por US$ 4 bilhões, causando polemica.

Politica de preços

   O Nióbio no Brasil, é explorado predominantemente por duas empresas : A CBMM, nacional, controlada pela família Moreira Salles e responsável por mais da metade da produção mundial do minério, e pela Anglo American, conglomerado britânico que minera o equivalente a 10% do que a CBMM produz. Essa extração não é ilegal, alem de ser regulamentada e muito bem documentada pelo governo, como pode-se ver aqui. Analisando friamente, constatamos que quem dita o preço final é a CBMM, ou seja, somos nos, os brasileiros, que controlamos o preço internacional de mercado da commoditie.

 Muitos dizem que a extração de Nióbio esta diretamente ligada a demanda da industria aeroespacial. Outro mito. Claro que o Nióbio é importante e largamente aplicado nessa industria, mas não é dai que resulta a maior demanda e os maiores lucros. O que movimenta mesmo a produção de Nióbio é a industria do AÇO, ou seja, as obras de infraestrutura, construção de pontes, gasodutos, oleodutos, etc.

 Por que usar Nióbio para estas coisas ? O Nióbio alem de ser mais leve e resistente que o Vanádio e o Titânio, na maioria das vezes, ele custa menos também. Então porque ele tem o preço tao baixo ? Aumentar demais o preço, pode fazer com que o Vanádio e o Titânio tornem-se mais atrativos para a industria, alem de não se produzir nada do que ele é usado o tempo todo, fazendo com que o preço flutue muito, acompanhando a demanda, igualmente flutuante.

“Quem consome nióbio são empresas transnacionais superespecializadas. É de se imaginar, portanto, que exista uma enorme pressão de fora para ter um produto que eles precisam a um preço acessível”, avalia o pesquisador Roberto Galery, professor da faculdade de engenharia de minas da UFMG.

Para Adriano Benayon, economista e autor do livro “Globalização versus Desenvolvimento”, com a produção restrita a dois grupos econômicos no Brasil é “evidente” que o interesse é exportar o nióbio do Brasil “ao menor preço possível”.

Pelos cálculos do pesquisador, autor de vários dos artigos sobre nióbio que circulam na internet, o Brasil poderia ganhar até 50 vezes mais o que recebe atualmente com as exportações de ferro-nióbio, caso ditasse o preço do produto no mercado mundial e aumentasse o consumo interno do mineral.

“A nacionalização impõe-se, porque ao Brasil importa valorizar o produto externamente e investir, com os recursos da exportação valorizada, em empresas para produzir com crescente incorporação de tecnologia e crescente valor agregado bens que elevem a qualidade dos empregos e o quantum da renda nacional”, argumenta Benayon.

Por que, então, tendo um metal raro e tão útil nós não vendemos por um preço mais alto? Por que apesar de, como dito, ele ser mais leve e resistente, ele também tem o melhor custo benefício. Não existe nenhum motivo para se usar nióbio senão esse. Se o Brasil tentasse subir artificialmente o preço desse metal as siderúrgicas ao redor do mundo simplesmente comprariam titânio e vanádio. O nióbio, quem diria?, não é a salvação da pátria.

Mitos e verdades sobre o Nióbio : 

1O nióbio e um metal tão precioso e raro quanto o ouro.
Mentira
. O nióbio e um metal raro e encontrado e poucos lugares do mundo. A concentração em que se encontra em nosso território e a mesma em que se encontra o ouro, 2,4%.  O valor porem não chega nem próximo ao valor do ouro. Em 2012, de acordo com dados oficiais, a liga ferro-nióbio foi vendida a US$ 26500,00 a tonelada, A onça do ouro (3,10 gramas) foi cotada no mesmo período a US$ 1700,00.

2 – A importância do nióbio equivale a do petróleo.

Em parte. Sua utilização esta mais ligada ao aumento de performance no que se refere a ligas de aço. Hoje esse minério e considerado essencial na industria aeroespacial, e de suma importância também no setor automotivo, naval, e de óleo e gás. porem, não se trata de uma fonte de energia primaria ou alternativa, de larga demanda e necessidade como o petróleo.

3 – O nióbio e essencial e insubstituível na industria.

Mais ou menos, eu diria. O nióbio, aplicado na proporção de gramas por tonelada, garante maior resistência ao aço. E empregado nas mais diversas áreas da industria, mas possui concorrentes equivalentes, como o vanádio, o tântalo e o titânio. A vantagem do nióbio é ser mais leve que todos os concorrentes,alem de normalmente ser mais barato.

4 – O nióbio só é encontrado no Brasil.

MENTIRA. Como já dito no inicio do artigo, o Brasil detêm 98% de toda a reserva de nióbio no mundo, isso e quase tudo o que existe, mas ainda assim o minério e encontrado na Austrália, Canada,Egito, Congo, Groenlândia, Estados Unidos, Russia, entre outros.Em quantidade MUITO inferior, e verdade.

 5 – O Nióbio Brasileiro desperta cobiça de outros países.

FATO. O Brasil detêm praticamente um monopólio deste metal, haja visto que 98% de toda a reserva mundial se encontra aqui. Alem disso, este “monopólio” também preocupa outros países, afinal, ninguém gosta de depender de um só fornecedor. Um documento do departamento de estado americano, que vazou em 2010 pelo WikiLeaks, cita as minas brasileiras como locais estratégicos para a sobrevivência dos EUA. Um grupo de companhias chinesas, japonesas e sul coreanas adquiriram em 2011, 30% do capital da CBMM, pagando US$ 4 bilhões.

6- Nióbio Brasileiro é vendido a preço de banana. O Brasil perde por não controlar os preços.   Ha controvérsias. A cotação do minério subiu de US$ 13 o quilo em 2001 para US$ 32 em 2008. Em 2012, valia em media US$ 26,50 o quilo. Os preços do Nióbio não são negociados em nenhuma bolsa, alem disso as produtoras possuem subsidiarias em outros países, por isso, existem muitas suspeitas ainda não comprovadas, de subfaturamento. Uma repentina alta, segundo as empresas, poderia causar a substituição do minério por outros materiais mais baratos, alem de causar uma corrida pela abertura de  novas minas. Explicamos mais detalhadamente no artigo que você leu acima.


7 – As reservas Brasileiras estão sendo dilapidadas. Corremos o risco de ter de importar o minério no futuro.MENTIRA. A CBMM, apenas em Araxá, explora jazidas que tem durabilidade estimada em 200 anos, se a demanda atual se mantiver. Agora, se formos colocar na conta todas as jazidas conhecidas no pais, chegamos ao montante de 842.460.000 toneladas. Ainda não ha previsões de exploração de novas minas em locais com reservas lavráveis já conhecidas, como Amazonas e Rondônia.

8 – Grande parte do Nióbio exportado, é contrabandeado.

Difícil dizer.O Nióbio é encontrado em regiões de fronteira, onde ocorrem pequenos garimpos, porem, em razão das difíceis condições de produção e transporte para os países consumidores, o governo considera estas suspeitas, infundadas.Sem falar que, para minerar 1 kg de Nióbio, deve-se processar 40kg de minério bruto, tornando totalmente inviável o contrabando do minério, para que seja feito sem ser notado, e em volume suficiente para gerar lucro.  

9 – As jazidas de Nióbio existentes são suficientes para nos tirar da crise e salvar a economia, tornando-nos um pais rico.

MENTIRA. O Brasil detendo 98% de toda a reserva mundial, deve ter seu “monopólio” garantido por muitos e muitos anos. Isso não quer dizer que o Nióbio, necessariamente, seja a salvacao da pátria. Apesar do aumento da demanda e da variedade de possíveis aplicações do minério, a sua relevância e valor de mercado ainda não podem se comparar ao petróleo e ao ouro, por exemplo.

10 – O Brasil não tira proveito de sua posição estratégica em relação ao Nióbio.
  VERDADE.  O governo não prevê nenhuma abordagem especifica para o Nióbio dentro da pauta do marco regulatório da mineração. A oferta de Nióbio esta inteiramente nas mãos de duas gigantes do setor privado que operam no pais, sem qualquer politica interna que busque a criação de um parque industrial interno consumidor do minério. Vendo por outro lado, a exportação do minério contribui para o saldo favorável da balança comercial, já que ocupa a terceira posição na pauta de minerais exportados.

Claro que lucraríamos mais, tendo uma industria interna que pudesse beneficiar o minério e exportasse o produto final, mas creio estarmos longe disso, pelo menos por enquanto. O Deputado federal, Jair Bolsonaro (PSC/RJ), parece ser o único, no cenário atual, a preocupar-se com a situação atual do minério, subvalorizado e com potencial pouco aproveitado, segundo ele. Pre candidato a presidência em 2018, Bolsonaro pretende direcionar esforços afim de expandir e aperfeiçoar o a mineração de Nióbio, afim de melhor aproveitar o potencial do minério.

Para o pesquisador Roberto Galery, professor da faculdade de engenharia de minas da UFMG, o Brasil deveria usar o nióbio como um trunfo para atrair mais investimentos e transferência de tecnologia. “Se o Brasil parasse de produzir ou vender nióbio hoje, isso geraria certamente um caos”, afirma.

A demanda mundial da liga ferro-nióbio varia entre 90.000 e 100.000 toneladas, tendo como principais consumidores os EUA (30%), China (23%), Japão (11%), países do Bloco do NAFTA (26%) e outros países (10%).



 Projeção futura



As projeções para o consumo do nióbio restringiram-se ao principal produto, a liga ferro-nióbio, tendo em vista que as empresas produtoras atuam de forma integrada, praticamente sem registrar comercialização, tanto no mercado interno como externo do minério e concentrado.

A metodologia utilizada para as projeções via modelo explicativo da função consumo apontou uma demanda da liga ferro nióbio da ordem de 85 mil t para 2010 e de 188 t para 2030, o que corresponderiam a 140 mil t e 308 mil t respectivamente de produção do minério concentrado de nióbio, necessária ao atendimento da demanda prevista para esses anos.

Considerando os valores projetados, a necessidade de investimentos para o atendimento da demanda global do nióbio – mercado interno e externo – são respectivamente da ordem de US$ 81,4 milhões para 2010 e de US$ 1.374 milhões para 2030 considerando-se um cenário normal para o comportamento do mercado do nióbio. Os investimentos projetados para a mineração com vistas à ampliação, proporcionam uma expectativa de 2.800 novos empregos gerados para 2010 e de 9.800 para 2030.

Produção de Nióbio no mundo :

Exportação



O produto mais exportado pelo Brasil é o Ferro-Nióbio com mais de 90% das exportações de Nióbio e derivados. Em 2008 o total exportado foi de 78.000 toneladas, com uma receita para o País de US$ 1,7 bilhão.

Consumo

Oitenta por cento da produção do Nióbio destina-se ao preparo de ligas Ferro-Nióbio, dotadas de elevados índices de elasticidade e alta resistência a choques, como devem ser os materiais usados em pontes, dutos, locomotivas etc. Em função das propriedades refratárias e da resistência à corrosão, o Nióbio é ainda solicitado para o preparo de superligas, usadas na indústria aeroespacial (turbinas a gás, canalizações etc.), bem como na construção de reatores nucleares e respectivos aparelhos de troca de calor. O Nióbio ainda entra na composição das ligas supracondutoras de eletricidade e, mais recentemente, no processo de produção de lentes óticas. O Nióbio também é utilizado na produção do aço inoxidável e na fabricação de magnetos para tomógrafos de ressonância magnética.

Considerações Finais

 Conhecer nossas virtudes e riquezas, nos ajuda sempre a extirpar o chamado “complexo de vira-latas”. Temos um pais rico, não ha como negar; mas temos péssimos gestores públicos. Não aproveitamos nosso potencial, não desenvolvemos nossa industria, não aprimoramos nosso portfólio, não incentivamos a inovação. A ausência de uma politica de fomento é gritante. De que adianta tanta riqueza mineral, se os hospitais não tem leitos ? As cidades não tem infraestrutura, as escolas transformaram-se em antros marxistas, abandonadas. As universidades formam militantes… Do que nos serve ostentar estatais gigantescas, porem ineficientes, cujas contas a população, a duras penas, paga ? Sinto-me como se eu não desse conta de alimentar uma gigantesca vaca, da qual apenas meia duzia de privilegiados bebe o leite, sem contar que nos últimos tempos, a vaca quase foi para a churrasqueira. A unica coisa que o subsolo mais rico do mundo fez ate agora, foi sustentar, com muita eficiência, os políticos mais caros do mundo.  
– Por Westerley Agnolin

 

CURTA O CONSERVADORISMO DO BRASIL NO FACEBOOK

COMENTÁRIOS