O Lento Alvorecer

Oh mia patria sì bella e perduta! [1]

Depois de ficar longas noites “trancafiado” na masmorra, o miserável e esgotado cidadão brasileiro, envolto em trapos, acha uma escapatória desse vil e gelado pesadelo a que foi condenado. Das longas e morosas décadas torturantes de puros erros e de falsas crenças a que foi induzido, só o levou a uma coisa: o aprisionamento. Preso fisicamente ou mentalmente, o que é pior? “O inferno é ambos, mas é também o mundo de angústia e tormento que o homem constrói para si mesmo ao longo da história”[2].

O crescimento vertical da esquerda revolucionária no Brasil fez surgir o histérico e nefasto império hegemônico das pseudo-ideias errôneas. Isso aconteceu assim que foram tomando cada parte do Estamento Burocrático e do dia a dia do cidadão brasileiro, moldando-os à sua imagem e semelhança. Assim, o Brasil foi feito refém de um maldito e insano reformismo sem noção, um esquema de controle mental e social, que beira a insanidade humana. Desta forma, alvoreceu a mentalidade em que prega a seguinte crença na sociedade brasileira: “O revolucionarismo deseja construir o futuro como se o passado jamais “existira”[3].

Quando o cidadão descobre o projeto maligno, e bate de frente com esse projeto cruel de dominação e aniquilação nacional, muitos ficam nervosos, afoitos e tensos, pois não sabem o que fazer, muito menos por onde começar a combater tal inimigo, de proporções imensas. “Mas se os bárbaros estão cá dentro, que podemos nós fazer? Denunciá-los e combatê-los, sem dúvidas. Mas também, sob outra estratégia, imitar os antigos monges sitiados, a fim de preservar e cultivar o que merece ser preservado e cultivado. A busca da beleza possível. Afluição dos domésticos prazeres: lugares, memórias, histórias. E a celebração do humor sobre os outros, sobre nós, sobretudo sobre nós       como uma forma suprema de ‘salvação.'[4]“

Desta forma, os bárbaros aproveitaram nossa ingenuidade e descuido e invadiram na calada da noite, usurparam nossa formosa e linda nação. No presente momento, encontramo-nos como os judeus do Gueto de Varsóvia[5]: somos humilhados, vilipendiados e vigiados constantemente pelos algozes vermelhos. Não podemos exercer e bradar nossa real tradição, fé e crença. Nossa pátria foi ultrajada e largada. Mas, “longe vá… temor servil”[6]. Não podemos nos calar e consentir com o atual estado da nação e da sociedade, devemos combater. “Nós não somos donos da verdade. Nós temos o direito de lutar, o dever de lutar pela verdade”[7].

Todavia, os desafios são árduos e perniciosos, as provações físicas, mentais e morais são ad infinitum. “O homem sábio é livre, mesmo que seja um escravo, se souber restabelecer e reter sua liberdade eterna. Se ele for seu próprio senhor, então não terá um senhor. Nenhum humano pode intimida-ló”[8]. Assim, só os íntegros, honestos e estudiosos, resistirão às adversidades de nosso tempo e se libertarão dessa masmorra rumando ao alvorecer. Resistir como impávidos colossos.

Mas, se ousar em seguir outro caminho que não este, sofrerás duras consequências físicas, mentais e espirituais. “Não podemos pensar em fazer uma grande nação sem uma base religiosa ‘sólida'[9].  Só com uma duradora base, que seja íntegra e pura no Catolicismo, poderemos resistir e combater as heresias e modernismo que invadem e ameaçam nosso país.

Extirpar, evidenciar e lutar contra os traidores que habitam e rondam a Santa Igreja são as nossa missões. Sem isso, será impossível salvar o nosso querido Brasil. Pois nosso país só se tornou vulnerável ao socialismo/comunismo e a suas modernidades, quando ocorreu a corrupção do clero e o esvaziamento das igrejas, fiéis soltos, sem orientação e atenção, o que acabou por resultar na maciça perda de Fé e na lenta e graduação implosão da ordem nacional. É de suma importância lembrar e ressaltar uma grande lição de Nosso Senhor Jesus Cristo, em que dizia: “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a “morte.[10]”

A crescente e contínua devastação do país fomentou a incredulidade dos brasileiros. Hoje quem prega uma retomada à fé católica e uma retomada ou conquista da sanidade, é considerado um radical ou louco. “A mensagem de Cristo é impossível, mas não louca. É antes a sanidade pregada num planeta de lunáticos.[11]”

Os abusos e as dilapidações que a esquerda e a modernidade praticaram no nosso Brasil ultrapassaram o tolerável. Somos ainda uma nação órfã de uma legitima e séria representação política. “E como não há nenhuma ‘direita’ conservadora atuante no país, me parece claro que ainda somos um povo sem voz, e, um povo sem voz, especialmente um povo sem representação, está fadado ao arbítrio dos ditadores e aventureiros imbuídos de ressentimentos e vontades de poder”[12].

A marcha rumo à plena libertação dos grilhões revolucionários é longa e difícil. A guerra cultural e o resgate da alta cultura só estão no seu alvorecer. O que está surgindo nesse momento são pequenas “mudas”, que, em algumas décadas, seguramente serão imponentes e sólidas árvores, as quais arborizarão nessa terra devastada. Pois agora, “Memória e desejo, aviva[13]” essa nação.

O lento alvorecer nacional será marcado pela retomada da sanidade mental das classes sociais e a retomada da Igreja pelos homens bons e de boa-vontade, assim como diz o evangelho. Quando todos entenderem que “ser conservador é não ter nenhuma proposta de sociedade, é aceitar que a própria sociedade presente vá encontrando pouco a pouco a solução para cada um de seus males, sem jamais perder de vista o fato de que, para cada novo mal que seja vencido, novos males aparecerão. Ser conservador é não ser jamais o portador de um futuro radiante, é ser o porta-voz da prudência e da sabedoria”[14].

A libertação dessa masmorra é muito mais que um simples dever de todo homem sério e íntegro. É antes de tudo, a busca pela salvação do seu país, é resgatar o Brasil dos ratos e vermes que desfilam e se aplumam pelos quatro cantos do país. Esses e vários outros motivos, sólidos e testados, que brando vivamente e efusivamente pelos quatro cantos de minha nação:

Ou ficar a Pátria livre,

Ou morrer pelo Brasil![15]

Por: Salomão Campina

Bibliografia:

1. Va Pensiero, de Giuseppe Fortunino Francesco Verdi.

2. O Código dos Códigos, de Northrop Frye.

3. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.

4. Vamos ao que Interessa, de João Pereira Coutinho.

5. O Pianista, de Roman Polanski.

6. Hino do Império Brasileiro.

7. Alceu Amoroso Lima.

8. A Tradição Ocidental, de Eugen Joseph Weber.

9. O Elogio do Conservadorismo, de João Camilo de Oliveira Torres.

10. João 14.

11. Twelve Types, de G. K. Chesterton.

12. Prof. Daniel Fernandes.

13.Trecho de Os Homens Ocos, de T. S. Eliot.

14. Olavo de Carvalho, entrevista a Bruno Garschagen.

15. Hino do Império Brasileiro.

 

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