Temer faz reunião no Palácio da Alvorada para pedir apoio

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Presidente passou a ser investigado por três crimes após delações da JBS. Segundo colunista do G1, encontro foi organizado para Temer pedir que Legislativo vote pautas econômicas.

O presidente Michel Temer recebeu aliados na noite deste domingo (21), no Palácio da Alvorada. Segundo a colunista do G1 Andréia Sadi, o encontro foi chamado por Temer para pedir aos parlamentares o apoio do Congresso na votação, ainda nesta semana, de projetos econômicos.

De acordo com a Secretaria de Imprensa da Presidência, não há um objetivo formal para o encontro da noite deste domingo, mas a reunião ocorreu em meio à maior crise política de Temer desde que ele assumiu o governo.
Por volta das 22h deste domingo, o Palácio do Planalto divulgou a lista dos presentes no encontro. De acordo com o documento, compareceram 23 deputados, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); seis senadores, entre eles o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE); e 17 ministros, entre eles o titular da Fazenda, Henrique Meirelles. Também estava presente o presidente da Caixa, Gilberto Occhi. (Veja a lista ao fim desta reportagem)

Presidente ‘indignado’

Depois da reunião, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que Michel Temer demonstrou “indignação” com as denúncias feitas pelos donos da JBS. Apesar disso, na avaliação do deputado paraibano, Temer pareceu “animado” a superar a crise.

“O presidente reafirmou de forma contundente a sua indignação nesse momento que está vivendo, mas também está cônscio do compromisso que tem com o país de enfrentar os desafios. Ele se mostrou animado a superar esse momento”, contou Ribeiro.

O líder do governo na Câmara também disse que Temer reafirmou o que já havia dito em pronunciamentos à imprensa: não pretende renunciar.

Ainda segundo o parlamentar, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), comprometeram-se, na reunião, a manter “a normalidade” dos trabalhos nas Casas que presidem.

Parlamentares da oposição, no entanto, prometem obstruir todas as votações nesta semana e vão cobrar de Rodrigo Maia a abertura de um processo de impeachment de Temer.

Questionado sobre se parlamentares da base estão condicionando o apoio a Michel Temer à análise do pedido de suspensão do inquérito que o investiga no STF, Ribeiro negou essa hipótese.

“Ninguém tratou de apoio condicionado. Os partidos estão compromissados com o país. O Supremo deve cumprir o seu papel, o Executivo e o Legislativo também”, declarou.

O deputado do PP disse ainda que, nesta segunda, líderes partidários na Câmara vão fazer uma reunião com Rodrigo Maia para definir a pauta de votações.

Entenda a crise

Na semana passada, foram divulgadas as informações prestadas pelos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, ao Ministério Público Federal, no acordo de delação premiada fechado por eles no âmbito da Operação Lava Jato.

Aos investigadores, os irmãos Batista entregaram documentos, fotos e vídeos como prova das informações fornecidas. As delações deles e de outros executivos da JBS já foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal e o conteúdo, divulgado na última sexta-feira (19).

Temer será investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. O presidente tem negado em pronunciamentos e em notas à imprensa todas as acusações e já pediu ao Supremo para suspender o inquérito.

‘Momento certo’

Ao chegar para o encontro com Temer, o líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE), foi questionado sobre a “baixa adesão” da base ao encontro, uma vez que, inicialmente, estava previsto um jantar entre o presidente e todos os líderes aliados.

Moura, então, respondeu que o encontro deste domingo é mais um daqueles que Temer tem feito com aliados desde a divulgação das delações da JBS, na última quarta.

“No momento certo, nós iremos oficialmente convocar a base aliada, os líderes da base para virem e conversar oficialmente com o presidente e toda a nossa base”, disse.

Acusações

Relembre abaixo algumas das acusações envolvendo o presidente Michel Temer:

  • ‘Anuência’ para propina a Cunha;
  • Ajuda a Cunha com ‘um ou dois ministros’ do STF;
  • Pediu a Aécio para retirar a ação no TSE;
  • Atuou em conjunto com Aécio para barrar a Lava Jato;
  • Recebeu R$ 15 milhões e ‘guardou’ R$ 1 milhão. 

Respostas

À medida em que o conteúdo das delações era conhecido, o G1 questionava a Presidência sobre as acusações. Leia abaixo:

  • Ajuda a Cunha: “No diálogo com Joesley Batista, o presidente Michel Temer diz que nada fez pelo ex-deputado Eduardo Cunha. Isso prova que o presidente não obstruiu a Justiça. Michel Temer não recebeu valores, a não ser os permitidos pela Lei Eleitoral e declarados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Portanto, não tem envolvimento em nenhum tipo de crime.”
  • Ação no TSE: “Isso não ocorreu”.
  • Atuação para impedir Lava Jato: “O presidente nunca atuou para impedir o avanço da Lava Jato”.
  • Recebeu R$ 15 milhões e guardou R$ 1 milhão: “O presidente não pediu nem recebeu dinheiro ilegal.”

Reação no Congresso

Desde que as delações se tornaram públicas, partidos de oposição passaram a liderar no Congresso Nacional um movimento a favor do impeachment de Temer.

 A oposição diz, ainda, que tentará obstruir todas as votações em plenário até que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aceite um dos pedidos de impeachment.

Eventual saída de Temer levaria a eleição indireta pelo Congresso, diz Constituição.

Além disso, segundo o colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, articuladores políticos do governo foram avisados de que parte da base aliada quer a renúncia do presidente.
Lista dos presentes à reunião no Palácio da Alvorada, segundo a Presidência:

Deputados:

  • Presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ)
  • Pauderney Avelino (DEM-AM)
  • Danilo Forte (PSB-CE)
  • José Carlos Aleluia (DEM-BA)
  • Heráclito Fortes (PSB-PI)
  • André Moura (PSC-SE)
  • Beto Mansur (PRB-SP)
  • Carlos Marun (PMDB-MS)
  • Rogério Rosso (PSD-DF)
  • Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA)
  • Efraim Filho (DEM-PB)
  • Baleia Rossi (PMDB-SP)
  • Evandro Roman (PSD-PR)
  • Alexandre Baldy (Pode-GO)
  • Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)
  • Benito Gama (PTB-BA)
  • Pastor Franklin (PP-MG)
  • Arthur Maia (PPS-BA)
  • Luis Tibé (PT do B-MG)
  • José Rocha (PR-BA)
  • Rubens Bueno (PPS-PR)
  • Celso Russomano (PRB-SP)
  • Darcisio Perondi (PMDB-RS)

Senadores:

  • Presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE)
  • Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Romero Jucá (PMDB-RR)
  • Agripino Maia (DEM-RN)
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE)
  • Rose de Freitas (PMDB-ES)

Ministros:

  • Mendonça Filho (DEM, Educação)
  • Gilberto Kassab (PSD, Ciência e Tecnologia)
  • Fernando Coelho (PSB, Minas e Energia)
  • Osmar Terra (PMDB, Desenvolvimento Social)
  • Osmar Serraglio (PMDB, Justiça)
  • Helder Barbalho (PMDB, Integração Nacional)
  • Dyogo de Oliveira (Planejamento)
  • Eliseu Padilha (PMDB, Casa Civil)
  • Moreira Franco (PMDB, Secretaria-Geral da Presidência)
  • Antonio Imbassahy (PSDB, Secretaria de Governo)
  • Max Beltrão (PMDB, Turismo)
  • Aloysio Nunes (PSDB, Relações Exteriores)
  • Henrique Meirelles (Fazenda)
  • Maurício Quintella (PR, Transportes)
  • Ronaldo Nogueira (PTB, Trabalho)
  • Bruno Araújo (PSDB, Cidades)
  • Raul Jungmann (PPS, Defesa)

Outros:

  • Presidente da Caixa, Gilberto Occhi

Fonte – G1

 

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