‘Bank money’, a fonte de muitos problemas

Desperdício e corrupção são o resultado dos privilégios concedidos aos bancos para criar dinheiro do nada.

Emblema do Federal Reserve pode ser visto nas notas de dólares.

A força que mais causa danos à economia é, também, a menos conhecida e compreendida.

Enquanto a esquerda põe a culpa em corporações e indivíduos gananciosos, e a direita acusa o governo, a aliança entre o governo e as instituições financeiras é que traz a degradação ambiental, o desemprego, a desigualdade de renda, entre outros problemas.

Nos Estados Unidos, e na maioria dos outros países, o governo concede às instituições financeiras privadas o direito de criar dinheiro sem lastro, forçando o indivíduo a aceitá-lo como moeda corrente, para, por exemplo, pagar impostos.

A Lei Monetária de 1965 (Coinage Act) afirma que “o dinheiro dos Estados Unidos, em papel ou metal (inclusive papel do Federal Reserve e papel em circulação do Federal Reserve e de outros bancos nacionais), possui validade para quitar todos os débitos, encargos públicos, impostos e taxas”.

Hoje, o “dinheiro” ocorre principalmente na forma de crédito eletrônico em depósitos bancários, mas a mesma lei ainda se aplica. Isto mostra o verdadeiro caráter da moeda corrente. E quanto a criar dinheiro a partir do nada? Os bancos não retiram dinheiro das poupanças para emprestá-lo no mercado?

A resposta simples é não. Em vez de retirar da poupança de empresas e indivíduos e só então esperar por um mutuário apto, os bancos fazem um truque contábil simples, para criar dinheiro sempre que alguém solicita um empréstimo.

Vamos imaginar que você solicite uma hipoteca de US$ 450 mil. Assim que for aprovada, o banco simplesmente credita US$ 450 mil em sua conta, na forma de depósito — que você poderá usar para comprar uma casa. Isto é um passivo bancário. Do lado dos ativos, o banco credita um empréstimo de US$ 450 mil para você, que será pago ao longo de 30 ou mais anos, somado juros.

Para este processo, não é necessária nenhuma poupança. A única coisa que um banco precisa fazer, de acordo com a legislação, é manter, no Federal Reserve (Fed), uma porcentagem muito baixa de seus ativos ou créditos, para pagar certa quantidade de dinheiro sacado caso necessário. Geralmente, esse valor não é maior que 1% de seus ativos, daí o termo reserva fracionária bancária.

A origem

O ditado popular diz que o dinheiro é a raiz de todo o mal. No entanto, a citação original, que está na Bíblia, refere-se a casos como o descrito acima, em que bancos têm autorização para criar dinheiro e lhe cobrar juros pelo trabalho: “pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”.

US$ 63,5 trilhões é o montante total da dívida do mercado de crédito criado pelo sistema bancário. Tem crescido a uma taxa anual média anual de 8% desde o quarto trimestre de 1951 — Fonte: Federal Reserve Bank of St. Louis

É claro que, sozinho, o dinheiro não causa mal algum. Ele apenas é a medida do valor de bens e serviços produzidos e de capital poupado. Contudo, sob o monopólio do bank money¹, o dinheiro criado sem lastro não mede nem a produção, nem a poupança. Na verdade, ele as altera.

Para criar dinheiro, através de empréstimos e depósitos, não precisamos produzir nem poupar qualquer quantia. A produção só se inicia posteriormente, quando os empreiteiros começarem a construir a casa — apesar de que até mesmo isso não é garantido, já que muitas hipotecas ou empréstimos são usados para se comprar ativos existentes, o que acaba por elevar os preços.

Até mesmo os empréstimos que financiam novas construções alteram a economia de maneira não natural: as preferências dos banqueiros direcionam a produção, em vez de a demanda dos consumidores, através da poupança, fazê-lo. E o banco, que pode penhorar a garantia caso o empréstimo não seja pago, obtém algo sem ter dado nada.

O princípio em funcionamento aqui é o puro amor ao dinheiro, nada mais que isso. O banco não precisa realizar nenhum esforço, mas pode aferir os lucros sob o empréstimo, equivalente a um imposto privado sobre a oferta monetária. Seria como se alguns poucos indivíduos fossem autorizados a ter uma impressora de dinheiro em casa, que eles usariam para imprimir papel-moeda, fazer empréstimos e cobrar juros. Enquanto isso, todo mundo é obrigado a usar esses empréstimos impressos, para fazer investimentos. Isso, claramente, não é justo.

O problema

A facilidade com que os bancos conseguem criar dinheiro explica os erros recorrentes na gestão de riscos e na geração de empréstimos, dos quais a crise do subprime é apenas a manifestação mais recente. Porque o dinheiro não gera custos, faz sentido para os bancos emprestar o máximo possível. Afinal, eles não precisam agir para gerar esses recursos, no entanto, colhem os juros quando os empréstimos são pagos.

Se o governo não tivesse tornado o mercado monetário um cartel bancário, até mesmo este mecanismo perverso teria seus limites, levando, em última instância, à derrocada dos bancos participantes — tal como ocorreu na crise de 2008.

No entanto, porque os bancos, considerados importantes demais para falir, se aliam ao governo e patrocinam políticos com contribuições de campanha, eles podem sempre contar com o governo para resgatá-los quando o castelo de cartas desaba. Este não é um problema de pouca regulamentação, na verdade é do tipo errado de regulação que perpetua o roubo sistemático de recursos públicos.

Os bancos podem sempre contar com o governo para resgatá-los quando o castelo de cartas desaba

Até mesmo isso é apenas a ponta do iceberg. Porque o processo de alocação de capital neste sistema é falho — o setor privado é encorajado, por vaidade, a gastar recursos em projetos ineficientes e desnecessários; no setor imobiliário é o mais óbvio, juntamente com o excesso de capacidade industrial.

Como as grandes corporações têm melhor acesso aos grandes bancos, elas possuem acesso facilitado a esse “capital” artificial, dessa forma elas acabam conseguindo expulsar do mercado atores menores que talvez serviriam melhor à comunidade. Além disso, muito desenvolvimento imobiliário e a sobrecapacidade industrial também exercem maior pressão sobre o meio ambiente.

Este processo leva à centralização e à burocratização de tudo, não apenas do governo. Grandes corporações, pagando taxas de juros menores do que seus concorrentes, acabam sendo os fornecedores da maioria dos bens e serviços. É por isso que vemos as mesmas marcas e multinacionais em todos os lugares.

Porque a taxa pela oferta monetária precisa ser paga aos bancos privados, as corporações estão constantemente procurando uma forma de se reduzir os custos, o que muitas vezes significa demitir trabalhadores e substituí-los por robôs.

Os trabalhadores e consumidores, por sua vez, acabam aprisionados. Eles não possuem escolha senão aceitar os altos juros em empréstimos no cartão de crédito e na hipoteca, enquanto os preços de bens e quaisquer coisas que elas possam investir disparam.

A solução

Claro que as coisas não precisam ser assim. Se os bancos não possuíssem o privilégio de criar dinheiro a partir do nada e, em vez disso, tivessem que gerar o capital de empréstimo a partir de poupanças reais, os incentivos aos bancos mudariam imediatamente. Também ajudaria se os governos não resgatassem estas instituições.

Nesse caso, o investimento seria igual à poupança e, por definição, seria limitado, já que é preciso reduzir o consumo para poupar. Isso é mais difícil de se conseguir do que apenas imprimir dinheiro. Os recursos seriam, então, economizados. Oportunidades de se acumular uma quantidade extravagante de dinheiro, apesar de continuar possível, seriam reduzidas. Haveria uma tendência natural para uma melhor distribuição da riqueza, não uma imaginada por uma burocracia centralizada.

Bancos e dinheiro honestos existiram antes na história

Se os bancos e os mutuários tivessem tudo a perder, as decisões de alocação de capital não seriam examinadas de acordo com o princípio do ‘amor pelo dinheiro’, mas sim de acordo com o quão produtivo esse investimento seria.

Maior produtividade significa produzir mais com menos, economizando, assim, recursos naturais. Reduzir o investimento de capital traria mais espaço para que humanos participem do processo econômico. O preço de bens e do capital seria mais estável.

Isto não é um sonho ou uma visão utópica. Bancos e dinheiro honestos existiram antes na história. O primeiro passo para solucionar esse problema é tornar-se consciente do problema.

¹: Termo sem tradução para o português. Refere-se a certos meios de troca no mercado financeiro, como cheque, crédito bancário e letra de câmbio. No texto, o termo também é usado com o sentido de dinheiro sem lastro

Fonte – Epoch Times

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