O horror da ‘Grande Fome’ de Mao Tsé-tung

Quarenta e cinco milhões de pessoas é muita gente. É quase o dobro da população da Austrália, cerca de 23 milhões, e maior que a população da Argentina, cerca de 42 milhões. Esse número é também a quantidade estimada de pessoas mortas durante a grande fome que assolou a China durante 1958-1962 no período do comunista Mao Tsé-tung.

Então, quanto você sabe sobre esta tragédia provocada pelo ex-líder comunista chinês? Até 2008 pouca informação sobre o tema estava disponível, somente o livro Hungry Ghosts: Mao’s Secret Famine (Fantasmas Famintos: a fome secreta de Mao), de Jasper Becker, publicado em 1996, fornecia uma perspectiva sobre os crimes cometidos na China comunista daquele período.

Foi somente em 2010 que a próxima grande contribuição em língua inglesa sobre o assunto surgiu, Mao’s Great Famine: The History of China’s Most Devastating Catastrophe, 1958-1962 (Grande Fome de Mao: A História da Mais Devastadora Catástrofe da China, 1958-1962).

Escrito por Frank Dikötter, professor catedrático de Ciências Humanas da Universidade de Hong Kong, o livro foi muito bem recebido pelo público.

Pouco antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, Dikötter teve acesso aos arquivos do Partido Comunista Chinês. Ele estudou centenas de documentos com registros meticulosos e, como em todos os Estados totalitários e ditatoriais, ele ficou chocado com os abusos de direitos humanos e falta de liberdades civis.

Com base na pesquisa realizada por Dikötter, calcula-se que 45 milhões de pessoas morreram como resultado direto das reformas econômicas e sociais desastrosas de Mao conhecidas como o ‘Grande Salto Adiante’.

“Eu ainda não consigo conceber tantas mortes; é um número enorme de pessoas; isso está certamente entre um dos três grandes horrores do século 20, se não o maior caso de desastre provocado pelo homem em toda a história da humanidade”, diz ele.

Dessa quantidade, pelo menos 2 a 3 milhões de pessoas foram torturadas até a morte ou executadas.

Para ajudar a visualizar a real perspectiva da tragédia, Dikötter diz que o que aconteceu na China foi semelhante ao que aconteceu com Pol Pot no Camboja, só que elevado à potência 20.

“O que se pode ver claramente é a quantidade extraordinária de violência que foi cometida de 1958 a 1962. Com violência eu quero dizer pessoas que foram espancadas até à morte por terem roubado um mero punhado de grãos”, disse Dikötter.

Nos registros oficiais do Partido Comunista Chinês é mencionado um homem, na província de Hunan, que foi forçado a matar seu filho de 12 anos de idade, enterrando-o vivo, pelo crime de roubo de grãos. O pai morreu de desgosto três semanas depois.

“Em todo o país, a partir dos arquivos do partido, vê-se que existem abundantes exemplos da utilização de níveis extraordinários de violência para levar as pessoas a fazer coisas que não fariam em condições normais”, disse Dikötter.

Somando-se a tudo isso, há também relatos de canibalismo, como expõe a publicação Nove Comentários Sobre o Partido Comunista Chinês, no tópico: “Agosto Vermelho” e o canibalismo de Guangxi.

Canibalismo praticado durante a 'Grande Fome' da China (E), 1958-1962; e da Rússia (D), 1921-1922 (Domínio Público)

Canibalismo praticado durante a ‘Grande Fome’ da China (E), 1958-1962; e da Rússia (D), 1921-1922 (Domínio Público)

Curiosamente, Dikötter disse que os governos dos Estado Unidos e Reino Unido sabiam sobre a fome, mas segundo ele esses governos preferiram ignorar a questão na época, em vez de confrontá-la abertamente.

Dikötter também assinalou o fato de que os livros sobre o Holocausto judeu abastecem fartamente as livrarias, mas não tanto sobre os crimes cometidos pela União Soviética. Ele diz que a razão pela qual a ‘Grande Fome’ praticamente não é conhecida é porque “o regime comunista permanece no poder e possui influência no mundo, há também pouca documentação pública disponível, ao contrário do colapso da Alemanha nazista e da URSS”.

Na China continental, a versão do partido é mantida onde a fome ocorreu devido às más condições ambientais. Além disso eles alegam que morreram “apenas” 15 milhões de pessoas. O partido chama a grande fome de “Três Anos de Desastres Naturais” ou o “Difícil Período de Três Anos”.

Fonte – Epoch Times

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