James O’Keefe: um buscador da verdade numa era de mídia tendenciosa

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Fundador do Projeto Veritas fala sobre jornalismo incógnito e responsabilizar à mídia informativa.

Um grupo de jornalistas do Projeto Veritas, liderado por James O’Keefe, tem agitado do meio jornalístico nos últimos anos com vídeos incógnitos que revelaram funcionários corruptos, fraude eleitoral e, mais recentemente, os vieses midiáticos na CNN, no New York Times e no Washington Post.

“Tomamos a abordagem que escolhemos, uma espécie de abordagem de guerrilha, porque vivemos em tempos injustos”, disse O’Keefe, numa entrevista ao Epoch Times. Ele citou palavras comumente atribuídas a George Orwell: “Em tempos de engano universal, dizer que a verdade se torna um ato revolucionário.”

Com o estado atual das notícias, da cultura e da política, muitas instituições encarregadas de informar o público se tornaram o que O’Keefe chamou de “aldeias de Potemkin”, uma referência às táticas comunistas de desinformação quando as pessoas são apresentadas com uma imagem falsa para influenciar suas opiniões.

Nesse ambiente, muitas instituições que afirmam defender a honestidade são elas mesmas desonestas, e muitos que afirmam representar a sociedade estão oprimindo os mesmos grupos que eles afirmam defender. Para esconder suas ações, essas mesmas instituições atacam os críticos, usando rótulos políticos.

É neste ambiente que O’Keefe escolheu usar uma forma às vezes polêmica de jornalismo para mostrar as verdadeiras faces por trás da fachada.

“Para obter a informação para o público, temos que usar meios furtivos e devemos ser guerrilheiros na forma como distribuímos a informação porque somos deficientes; porque enfrentamos forças avassaladoras que estão tentando nos reprimir, suprimir a verdade e propagandear contra as pessoas”, disse O’Keefe.

“A única maneira de distribuir a verdade nesses tempos estranhos é usar essas técnicas”, disse ele.

Durante as eleições de 2016, o Projeto Veritas publicou uma série de vídeos incógnitos que mostraram líderes de organizações democratas planejando incidentes incriminadores em torno de Trump. Isso incluiu um vídeo dos organizadores políticos democratas Bob Creamer e Scott Foval se vangloriando de começarem brigas nos comícios de Trump para retratar os apoiadores de Trump como violentos.

O incidente foi confirmado pela ex-presidente interina da Comissão Nacional Democrata (DNC), Donna Brazile, em seu novo livro “Hacks”. Ela escreve: “Eu assisti o vídeo de O’Keefe com o coração apertado, sabendo que isso era algo que não podíamos lutar contra, de fato não. … A filmagem de Creamer e Scott Foval se vangloriando de começarem brigas com pessoas enlouquecidas a caminho de uma reunião de campanha foi terrível.”

Num vídeo publicado em 28 de junho, o Projeto Veritas expôs o comentarista político da CNN, Van Jones, dizendo que as histórias alegando que o presidente estadunidense Donald Trump conspirou com a Rússia eram um “grande sanduiche de nada“. O grupo mostrou, por meio de outros vídeos incógnitos, que a CNN estava difundindo a narrativa Trump-Rússia para conseguir mais visualizações e audiência.

Numa série mais recente de vídeos, o Projeto Veritas mostrou várias figuras do New York Times (NYT) admitindo que a publicação tem um forte viés anti-Trump. Isso incluiu Des Shoe, um editor sênior do NYT baseado em Londres, afirmando que alguns jornalistas acreditam que se eles escreverem negativamente sobre Trump, “então, talvez as pessoas leiam e pensem ‘Oh, nossa, não devemos votar nele.’”

O editor executivo do NYT, Dean Baquet, criticou O’Keefe pelos vídeos recentes que expõem o estabelecimento midiático; Baquet descreveu o trabalho incógnito do Projeto Veritas como “mentiroso e evasivo”.

De acordo com O’Keefe, no entanto, os métodos jornalísticos que ele e outros no Projeto Veritas usam estão dentro dos padrões que os jornalistas devem defender.

O código de referência para muitos jornalistas é o Código de Ética da Sociedade de Jornalistas Profissionais. Este afirma que os métodos incógnitos devem ser evitados a menos que “os métodos abertos não produzam as informações vitais para o público”. Os jornalistas têm a responsabilidade de “expor a conduta antiética no jornalismo, inclusive dentro de suas organizações”, diz o código.

O’Keefe disse: “Nós argumentamos que as histórias que revelamos são de extremo interesse público. A razão pela qual as investigações de mídia que estamos fazendo são tão importantes é porque a mídia possivelmente tem mais poder do que o Congresso; ela tem mais poder do que a legislatura. Ela informa a cultura.”

O’Keefe discutiu alguns dos tópicos abordados em seu novo livro, “American Pravda: My Fight for Truth in the Era of Fake News“, sobre a história e a importância do jornalismo incógnito.

Ele observou que na década de 1970, o Chicago Sun-Times estava promovendo o jornalismo investigativo e ganhando vários prêmios ao longo do caminho. Eventualmente, a publicação comprou uma taberna como parte de sua famosa investigação Mirage, onde filmaram, gravaram e fotografaram policiais ardilosos, inspetores corruptos de negócios e outros perpetradores de corrupção em toda a cidade.

Após a investigação Mirage, muitos funcionários renunciaram e o Departamento de Justiça lançou uma investigação. No entanto, na comunidade de jornalistas, os métodos foram criticados como indo longe demais. O’Keefe citou Bob Woodward, do comitê do Prêmio Pulitzer, dizendo: “Parem aí, isso é um pouco demais.”

“Minha tese é que a razão pela qual Woodward disse isso e as pessoas pararam é porque era tão incrivelmente verdade; era tão letal usar uma metáfora; era tão devastadoramente eficaz em expor as coisas”, disse ele.

Isso também expôs uma ideia no jornalismo que revelar a corrupção pode ter limites. O’Keefe caracterizou isso como uma noção de “vamos apenas dizer que um pouco de verdade é bom, mas [se] você começa a falar que toda a cidade é corrupta – funcionários corruptos, prefeitos desonestos, todos estão corrompidos – [então] isso é demais”.

Em sua opinião, no entanto, o caso mostrou o poder do jornalismo incógnito ao expor a corrupção em grande escala. Ele disse, sobre o trabalho do Projeto Veritas: “Não pense que estamos inventando um novo gênero. Não estamos inventando nada. Nós estamos trazendo isso de volta.”

Agendas institucionais

De acordo com O’Keefe, muito do que o Projeto Veritas expôs aponta para um problema mais profundo na mídia dos EUA, em que promover uma narrativa política tornou-se mais importante para muitos meios de comunicação do que dizer a verdade.

“Parafraseando Jack Nicholson no filme ‘Questão de Honra’, ‘Eles não suportam a verdade.’ Eles não querem a verdade. A verdade é evidentemente danosa à sua narrativa”, disse ele. “Esses conglomerados de mídia têm tanto investido em narrativas que estão sustentadas em palafitas que podem desmoronar a qualquer momento se a verdade recair sobre eles.”

Grande parte do estabelecimento midiático tem promovido agendas sociais pós-modernistas, que podem então ser usadas para passar legislação que crie novas estruturas de poder dentro do governo. Se alguém questiona essas agendas, frequentemente serão atacados pelo estabelecimento midiático.

O’Keefe está muito familiarizado com esse fato e foi em muitas ocasiões o foco de retaliação do assassinato de reputação, ataques legais e acusações falsas.

Em 2010, ao investigar a corrupção política, O’Keefe foi detido por entrar num prédio federal sob falsos pretextos. Ele disse que foi falsamente acusado e filmagens de vídeo que poderiam ter sido evidências cruciais foram destruídas por um juiz federal. Quando isso ocorreu, ele disse: “Não houve qualquer menção sobre a Primeira Emenda [da Constituição dos EUA] na revista Columbia Journalism Review.” Em vez disso, “foi simplesmente ‘corte sua cabeça’, ‘jogue-o na prisão’, ‘espero que ele apodreça no inferno’.”

As respostas do estabelecimento às investigações do Projeto Veritas frequentemente não tratam dos problemas que ele expõe, mas em vez disso atacam-no por expor os problemas.

Ele disse que, para muitas instituições que promovem essas agendas, “é como o niilismo – não há valor, não há moral, não há lei, não há justiça”.

“Trata-se de um objetivo político específico – e foi isso o que expusemos na investigação do New York Times, foi um objetivo político específico e todos os meios necessários para alcançar esse objetivo. Foi exatamente isso”, disse ele.

Dentro da agenda pós-modernista, suas instituições protetoras muitas vezes enquadram suas narrativas e defesas em torno do que O’Keefe descreveu como suas “virtudes cardeais” de “raça, sexo e classe”. Qualquer um que questione essas narrativas é acusado de violar essas “virtudes cardinais”.

Parte do trabalho de O’Keefe, no entanto, tem sido expor que as mesmas instituições que manipulam essas narrativas regularmente não praticam os valores que afirmam representar.

Ele citou investigações que o Projeto Veritas realizou expondo o racismo e o abuso sexual dentro dos sindicatos de professores: “Já realizamos algumas investigações em lugares como Nova York e Nova Jersey. Nós conseguimos fazer a chefe da união de professores de Westchester renunciar porque ela estava instruindo uma pessoa que vive nas ruas a mentir sobre abuso sexual.”

O’Keefe comparou as táticas usadas pelo estabelecimento midiático com o que F.A. Hayek advertiu em seu livro “O Caminho da Servidão”, que ideias e informações que não promovem as políticas predeterminadas “não devem ser discutidas, elas não devem ser permitidas, elas devem ser proibidas”.

“Há uma ideologia de propaganda para as quais muitas dessas coisas contribuem, e eu vi isso repetidamente”, disse O’Keefe.

Ele contatou os editores executivos e gerentes do NYT pedindo uma entrevista gravada, mas eles se recusaram a responder. O’Keefe entende que essas recusas são motivadas por esta ideologia de propaganda.

Ele disse: “Há muito a dizer, mas o que eu descobri é que tudo isso decorre deles quererem avançar uma agenda social e política específica, e quaisquer fatos ou verdades que interfiram com essa trajetória são proibidos e ignorados.”

Para O’Keefe, no entanto, a missão de expor essas agendas está relacionada à sua compreensão da importância do jornalismo como base da democracia. Referindo-se à mídia, ele disse: “Eu não preciso que você me diga como pensar ou para quem votar; eu preciso que você me mostre o que está ocorrendo para que eu possa tomar essa decisão.”

“O Projeto Veritas acredita no poder das pessoas livres”, disse ele. “Se forem de fato informadas sobre o mundo em que vivem, elas poderão tomar decisões informadas.”

Fonte – Epoch Times

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