Cortes de impostos e maiores tarifas nos EUA ameaçam moeda da China

0
10

China tem de vigiar seu comércio, mas também a fuga de capital.

Sete foi a linha limite. Mas o yuan ou renminbi, a moeda chinesa, nunca cruzou essa linha em relação ao dólar dos EUA. Ela só chegou a 6,96 yuanes por dólar em 16 de dezembro de 2016, antes de começar uma queda impressionante até 6,5 no meio deste ano.

2016 foi um ano ruim para a economia chinesa. O crescimento foi lento e o mundo estava preocupado que a China finalmente aterrissaria da forma mais difícil, como muitos têm previsto há anos. E mais do que o crescimento do PIB ou qualquer outra métrica, a moeda chinesa era o barômetro de se a China poderia manter as coisas estáveis (a estabilidade é o mantra do regime comunista) ou sofreria uma crise de deflação da dívida.

Se a moeda chinesa declinasse de valor, isso significaria que os cidadãos e as empresas estavam movendo seu dinheiro para fora do país em grande quantidade porque já não acreditavam no sonho chinês.

Outra medida do quão ruim as coisas iam na segunda maior economia do mundo era as saídas ou fuga de capital. De acordo com o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), um recorde de US$ 725 bilhões deixou a China em 2016, pressionando a moeda e o mercado interbancário chinês.

Tentando deter a maré, o banco central vendeu volumes recordes de moeda estrangeira. As reservas cambiais chinesas, US$ 4 trilhões no seu apogeu em 2014, caíram para US$ 3 trilhões, e os analistas começaram a questionar se isso era suficiente para financiar a maior economia comercial do mundo.

Então, milagrosamente a tempo para o 19º Congresso Nacional de 2017 do Partido Comunista Chinês, tudo isso parou. O yuan nunca ultrapassou o limite de 7, as reservas de câmbio nunca caíram abaixo de 3 bi, e a fuga de capital diminuiu graças a regulamentos draconianos, tornando mais difícil para indivíduos e empresas transferirem dinheiro para fora do país.

Dólar fraco

Mas algo mais ajudou a China a fortalecer sua moeda para reduzir as saídas de capital e equilibrar suas reservas cambiais: um dólar fraco.

O dólar não recuou apenas em relação ao yuan. Ele declinou contra praticamente todos os seus principais parceiros comerciais em 2017, caindo 12% em relação ao seu pico de 2 de janeiro até seu patamar de 4 de setembro.

Um dólar fraco pressiona o yuan e torna menos desejável que os chineses invistam em ativos dos EUA se eles podem perder dinheiro com o câmbio. Um dólar fraco faz as participações chinesas em outras moedas estrangeiras valerem mais a pena.

Mas o dólar fraco deve reverter seu curso em 2018 e, para a China, isso significa o retorno das incertezas de 2016.

As moedas movem-se por uma infinidade de razões, mas a queda deste ano no dólar teve três pilares principais. O primeiro era político.

Depois que o dólar aumentou 8% na sequência da eleição do presidente Donald Trump em novembro passado, ele caiu quando ficou claro que Trump não conseguiria aprovar rapidamente sua agenda “América primeiro”, que incluía cortes de impostos e endurecer as regras de comércio com a China e o México.

O segundo pilar era a política de juros do Federal Reserve, o banco central dos EUA. O Fed estava atrasado em seu calendário de aumento das taxas programado para 2016 e 2017, o que decepcionou as expectativas do mercado que esperava por taxas de juros mais altas e maior rendimento para o dólar americano.

O terceiro pilar era a economia. Em relação às expectativas, os Estados Unidos apresentaram desempenho inferior aos mercados emergentes, incluindo a China e até a Europa e o Japão no primeiro semestre do ano.

Dólar forte

Todos esses fatores mudaram em favor do dólar no último trimestre, e será difícil para a China competir.

Trump conseguiu cumprir as promessas-chave de sua campanha na última etapa de 2017. Sua lei de reforma fiscal é uma benção para as corporações nacionais e internacionais, tornando mais competitivo investir nos Estados Unidos novamente. A lei também incentiva as empresas a retornarem ao país trilhões em dinheiro offshore. Embora este dinheiro provavelmente não venha da China, ele fortalecerá o dólar e punirá indiretamente o yuan.

A China, por outro lado, tornou-se cada vez menos competitiva em termos de impostos (seu imposto corporativo é de 45%), bem como de salários ou de mão de obra mais baratos. Sua principal vantagem hoje em dia é em escala [de produção industrial]. De acordo com uma reportagem do Wall Street Journal, a China já está preparando um plano de contingência para combater as reformas de Trump, aumentando as taxas de juros, apertando os controles de capital e microgerenciando a moeda, intervindo nos mercados de câmbio.

Os impostos mais baixos para empresas e indivíduos nos Estados Unidos também devem impulsionar uma economia já muito melhorada e, portanto, tornar novamente os ativos dos EUA, como ações e imóveis, mais atraentes para os investidores e compradores estrangeiros.

Mas os Estados Unidos também estão ameaçando a China no comércio, cujo superávit comercial de US$ 309 bilhões em 2017 oferece um apoio substancial ao yuan.

No final de novembro, os Estados Unidos entraram num processo legal na Organização Mundial do Comércio (OMC) como o terceiro partido num caso que a China iniciou contra a União Europeia (UE) também em novembro. A China reclama que, apesar de algumas disposições da OMC, a UE não lhe concedeu statusde “economia de mercado” 15 anos após a China aderir a OMC. Os Estados Unidos rejeitam os argumentos da China e ficaram do lado da UE.

Em 18 de dezembro, Trump acusou a China de desafiar o poder americano e roubar sua propriedade intelectual ao revelar sua Estratégia de Segurança Nacional. “Os Estados Unidos não tolerarão mais a agressão econômica ou práticas comerciais injustas”, diz o documento, sem mencionar a China pelo nome.

Se a gestão Trump seguir adiante com suas afirmações e usar a investigação sobre o roubo da propriedade intelectual pela China nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para impor sanções à China, um superávit comercial menor prejudicará as exportações chinesas e a moeda ao mesmo tempo. Embora uma guerra comercial seja dispendiosa para ambos os lados, a China tem mais a perder aqui.

Independentemente da política, o Federal Reserve também está começando a aumentar suas taxas de juros, tornando o dólar mais atraente nos mercados internacionais. Em 13 de dezembro, o banco central elevou sua taxa de referência de 0,25% para 1,50% em sua reunião do último mês de 2017.

Os chineses prontamente responderam à medida, com o Banco Popular da China aumentando sua taxa de referência de 0,05% para 3,25%. Mas a empresa de pesquisa Capital Economics acredita que isso não conseguirá mudar o jogo e que as condições financeiras na China ainda são relativamente instáveis.

“Apesar disso, não estamos convencidos da narrativa das políticas de controle [da China]. Um movimento de cinco pontos base nas taxas é muito pequeno para ter um impacto significativo”, escreveu a empresa numa nota aos clientes.

No entanto, se a China não cumprir seu cronograma de reforma mais cedo do que o previsto, ela viverá 2016 novamente.

Fonte – Epoch Times

CURTA O CONSERVADORISMO DO BRASIL NO FACEBOOK

COMENTÁRIOS