Motivadas por movimento nos EUA, chinesas expõem casos de assédio e violência sexual

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A China está tendo seu próprio momento de julgamento com relação a denúncias de assédio e violência sexual.

Como o recente movimento #MeToo que ganhou força nos Estados Unidos e propiciou muitas mulheres a falarem contra seus assaltantes, uma mulher chinesa que acusou abertamente seu antigo assistente de ensino universitário de agressão sexual inspirou outras testemunhas a emergirem com suas histórias. A notícia revelou a extensão generalizada do assédio sexual no setor da educação superior na China e na sociedade em geral.

Em 1º de janeiro, Luo Qianqian postou um relato escrito em sua conta do Weibo, um serviço chinês equivalente ao Twitter, descrevendo como há 12 anos ela foi assaltada sexualmente por seu antigo orientador universitário, Chen Xiaowu, enquanto cursava um doutorado na Universidade Beihang em Pequim. Após o incidente inicial quando ela foi atacada, Luo disse que foi perseguida por Chen, fazendo com que ela se tornasse clinicamente deprimida.

Mais tarde, ela emigrou para os Estados Unidos para finalmente “escapar de suas malvadas garras”, escreveu ela. Quando ela ouviu de outras ex-colegas de universidade sobre episódios de assédio semelhantes ao estudarem sob Chen, Luo disse que se sentiu obrigada a divulgar sua experiência. “Eu lamento que eu não tenha me levantado bravamente na época por causa do meu diploma. Caso contrário, não haveria tantas outras vítimas depois disso”, escreveu ela.

Luo também publicou gravações de áudio de conversas que ela disse que provariam a culpa de Chen.

Pouco depois que Luo publicou seu relato numa mídia social, a mídia local a entrevistou, levando as autoridades locais a investigarem Chen. Enquanto isso, mais de mil estudantes da Universidade Beihang assinaram uma carta online em apoio a Luo.

Em 11 de janeiro, a universidade anunciou por meio de sua conta do Weibo que o estabelecimento de ensino encontrou evidências de Chen assediando sexualmente estudantes e, portanto, iria despedi-lo de seu cargo de vice-chefe do curso de graduação da universidade e revogaria suas qualificações de ensino.

Dias antes, em 4 de janeiro, a Faculdade de Comunicação do Instituto Hebei despediu um instrutor de pessoal no departamento de artes cinematográficas e de televisão depois de ter sido acusado por várias estudantes de assédio sexual.

Então, em 12 de janeiro, o jornal estatal China Youth Daily informou que uma internauta publicou no Zhihu.com, um website de perguntas e respostas semelhante ao Quora.com, sobre sua experiência sendo agredida por um professor-associado do departamento de estatísticas da Universidade Internacional de Administração e Economia de Pequim. Enquanto estudava na instituição, a mulher, que não revelou seu nome, disse que o professor a obrigou a ter um relacionamento sexual para que ela pudesse ter a oportunidade de estudar no exterior.

A mulher disse que finalmente teve a coragem de falar depois de saber sobre o caso de Luo Qianqian.

Abusos sexuais abundam

Muitos outros casos de abuso sexual nos campi chineses vieram à luz nos últimos anos. Reportagens na mídia documentaram escândalos no ensino superior, no ensino médio e até mesmo em jardins de infância.

Em julho de 2017, o Centro de Educação do Gênero de Guangzhou e várias ONGs chinesas conduziram conjuntamente uma pesquisa sobre assédio sexual entre universitários atuais e graduados. Dos entrevistados, 69,3% disseram ter sofrido algum tipo de assédio, com mulheres representando 75% dos entrevistados. Enquanto a maioria (60%) disse que o perpetrador era um estranho, cerca de 10% disse que seu agressor era um funcionário da instituição.

De acordo com a ONG chinesa Girls’ Protecting, a mídia chinesa relatou 125 casos de agressão sexual infantil em 2013, contra 433 em 2016, um aumento acentuado.

O ex-professor chinês de historiografia Liu Yinquan disse que a imoralidade dos professores e na sociedade em geral decorre dos pobres exemplos que os dirigentes do Partido Comunista demonstram. Os cidadãos frequentemente veem e ouvem relatos e fofocas sobre seus escândalos sexuais e suas amantes. “Para a burocracia do Partido Comunista, para o campo da educação, para todos os cidadãos, isso tem sido uma péssima influência”, disse Liu.

Além disso, o comentarista de negócios chineses Li Shanjian observou que as tradições chinesas antigas enfatizavam o respeito mútuo entre professor e aluno. No entanto, nas últimas décadas do governo comunista, muitas das crenças tradicionais da China foram destruídas e suprimidas pelo regime. “A cultura do Partido Comunista encobriu e proibiu a cultura tradicional”, disse Li.

Colaboraram: Xiao Lusheng & Lin Shiyuan

Fonte – Epoch Times

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