Vídeo com queixas de empresário lança luz sobre ambiente hostil dos negócios na China

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Empresas privadas têm de superar obstáculos e interferências das autoridades locais.

Um vídeo mostrando as queixas de um irritado empresário chinês circulou recentemente na Internet. Seus comentários revelam o ambiente empresarial hostil existente na China, onde as empresas privadas têm de superar obstáculos e interferências das autoridades locais.

Mao Zhenhua é gerente da estação de esqui Sun Mountain Yabuli, um centro de esqui na província de Heilongjiang, localizado no extremo norte da China e que é parte do Club Méditerranée ou Club Med, empresa de origem francesa que atua no setor de turismo prestando serviços de hotelaria e lazer. O bem sucedido empresário fundou, em 1992, a primeira empresa chinesa de qualificação de crédito em todo o país.

Em um vídeo carregado em 2 de janeiro para um aplicativo de microblogging chinês semelhante ao Twitter chamado Weibo, o empresário Mao é visto em pé no meio da neve trajando roupas de esquiar, aparentemente em seu complexo turístico , bradando sobre os maus tratos sofridos por parte de um comitê administrativo do governo local encarregado de desenvolver o turismo de inverno na região. O comitê atualmente é dirigido pelo chefe do escritório industrial e florestal de Heilongjiang, Wang Jingxian.

Por vários minutos, o empresário descreveu como o comitê ocupou ilegalmente 230 mil metros quadrados de suas terras e convidou outras empresas a instalarem uma pista de gelo e um hotel em sua propriedade. As autoridades aprovaram, sem seu conhecimento, um projeto para construir uma ponte, que foi derrubada e reconstruída diversas vezes e custou 50 milhões de yuans (aproximadamente 7,6 milhões de dólares). Também ordenaram à polícia que avisasse as agências de viagens para não levar turistas ao seu complexo.

“Hoje eles nos inspecionam por isso, amanhã por aquilo. Segurança pública, inspeção de alimentos, inspeção de caldeiras, entre outros, nos criam problemas todos os dias. Não nos deixam fazer nada”, lamentou Mao. Ele acrescentou que investiu dois bilhões de yuans (aproximadamente 307 milhões de dólares) de seu próprio bolso naquele complexo turístico, desde que o comprou em 2010, mas que ainda está esperando obter algum lucro.

Os cidadãos e a mídia chineses comentaram seu vídeo e vários diretores executivos de grandes empresas se solidarizaram com ele. Pan Shiyi, presidente da SOHO China (o maior promotor imobiliário de escritórios em Pequim) postou na Weibo: “Espero que o governo de Heilongjiang investigue isso e proporcione às empresas um ambiente comercial justo”.

Publicação de Pan Shiyi na Weibo em apoio ao empresário Mao Zhenhua (captura de tela/Weibo)

Publicação de Pan Shiyi na Weibo em apoio ao empresário Mao Zhenhua (captura de tela/Weibo)

No WeChat, uma popular plataforma de mensagens instantâneas, Wu Yajun, presidente da China Longfor, desenvolvedora imobiliária especializada em propriedades residenciais e comerciais de alto padrão, expressou seu apoio a Mao, observando que ele já havia mencionado suas dúvidas sobre isso. “Agora que o mercado de esqui está ganhando força e os negócios estão melhorando, um grupo de tigres e lobos correm para roubar um pedaço da torta”. Ele acrescentou que as autoridades locais até enviaram a polícia para ameaçar os funcionários do complexo Yabuli. “Ele [Mao] não apelaria à opinião pública se pudesse fazer outra coisa”.

Economia em crise

A economia local no nordeste da China encontra-se em dificuldades. Os números oficiais mostram que as três províncias dessa região, Heilongjiang, Jilin e Liaoning, estão entre os últimos cinco lugares em termos de crescimento do PIB nos últimos anos. O PIB em Liaoning caiu entre o primeiro semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017.

Empresários como Mao investiram na região com a esperança de obter lucros, mas em vez disso estão sujeitos a constantes obstáculos.

Jovens esquiam em um trenó improvisado na cidade de Yichun, Província de Heilongjiang, em 9 de janeiro de 2006 (China Photos/Getty Images)

Jovens esquiam em um trenó improvisado na cidade de Yichun, Província de Heilongjiang, em 9 de janeiro de 2006 (China Photos/Getty Images)

Na mesma tarde, uma equipe de pesquisa pertencente às autoridades de Heilongjiang chegou à estação de esqui, informou o jornal chinês Economic Observer. No último dia de 2017, o empresário tentou entrar em contato com o secretário provincial do PCC, mas sem sucesso, de acordo com o jornal.

Um artigo de opinião na mesma publicação comentou sobre este fenômeno: “Quanto mais empresas privadas forem intimidadas, menos pessoas virão aqui para investir. Quando a economia não está indo bem, o governo local não tem dinheiro e a intimidação aumenta [para consegui-lo], até que a economia do nordeste perca sua última reserva de energia “.

A regra do punho de ferro para empresas privadas

As pressões do regime chinês sobre as empresas privadas não se limitam ao que o empresário Mao descreveu. Também fortaleceu seu controle sobre o setor privado, solicitando informações sobre investimentos estrangeiros, além de investigar os principais executivos de empresas por falha de conduta e inculcar a ideologia do PCC por meio de organizações do Partido.

Também foi pedido aos principais executivos que sigam a política do Partido de combater a pobreza em áreas menos favorecidas do país, sem outra opção além de cumpri-lo.

Fonte – Epoch Times

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