Regime acoberta severidade da gripe na China, diz mídia chinesa

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Esta estação de gripe tem sido particularmente grave, considerada uma das piores em uma década nos Estados Unidos, e tem adoecido muitas outras pessoas em diversas partes do globo, como em Hong Kong e na Austrália.

Na China, as mortes causadas pela gripe podem estar sendo subestimadas, o que mantem o público desinformado e despreparado para enfrentar o vírus brutal, de acordo com uma reportagem recente da publicação chinesa Caixin.

O artigo que foi tremendamente compartilhado e difundido, publicado em 20 de fevereiro, também destacou inadequações no sistema médico chinês. Ele começou com uma história pessoal de um repórter da Caixin, cujo sogro morreu apenas 27 dias depois de apresentar sintomas em 28 de dezembro de 2017. O repórter havia escrito anteriormente sobre as dificuldades que enfrentava para obter cuidados adequados para o seu sogro, que ele postou no WeChat, uma popular plataforma de mídia social. Isso rapidamente atraiu muitas reações dos internautas.

O sogro geralmente estava em boa saúde. Depois de mostrar sinais de doença, o repórter o levou para consultar um médico. Foram necessários cinco dias para que o médico prescrevesse medicação contra a gripe e nove dias para que o médico fizesse um diagnóstico definitivo da gripe.

Entretanto, a condição do sogro piorou drasticamente. O repórter teve que transferi-lo para outro hospital para tratamento, mas devido a uma escassez de leitos, ele teve que buscar freneticamente outras instalações disponíveis. Por fim, depois de várias tribulações, seu sogro teve de ser transferido de hospitais cinco vezes, exigindo uma transfusão de sangue, tratamento na UTI e ficar entubado a uma máquina de respiração pulmonar artificial (que ajuda a fornecer oxigênio ao sangue quando o corpo do paciente não pode fazê-lo suficientemente). Isso custou à família mais de 300 mil yuanes (cerca de US$ 47 mil).

Um médico que foi consultado no artigo disse que, se a gripe fosse diagnosticada e tratada precocemente, teria sido possível usar medicamentos antivirais para tratar o sogro antes que os sintomas se agravassem.

O artigo da Caixin lançou dúvidas sobre as estatísticas oficiais de morte na China. Entre 1º e 9 de janeiro, houve 10 mortes relatadas relacionadas à gripe em Hong Kong, uma cidade sob controle da China mas que opera sob um sistema político diferente, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China. Embora tenha reconhecido que houve mais casos de gripe na China continental do que no mesmo período nos últimos anos, o Centro disse que não houve mortes entre 1º e 7 de janeiro.

Hong Kong é uma cidade de cerca de 7 milhões, em comparação com mais de 1,4 bilhão da China. Durante todo o mês de janeiro de 2018, o regime chinês registrou 273.949 casos de gripe e 56 mortes.

A Caixin também comparou os casos do surto de gripe H3N2 no verão passado em Hong Kong em relação à província de Guangdong (que tem mais de 100 milhões de habitantes). Houve 15 mil casos de H3N2 e 300 mortes relacionadas em Hong Kong, em comparação com 74 mil casos de H3N2 e 3 mortes em Guangdong.

“Na China continental, os departamentos de saúde geralmente apenas indicam a causa da morte como doença relacionada a doenças cardiovasculares, e não informam a morte como resultado da gripe”, de acordo com a Caixin. Isso resultou na falta de conscientização sobre a gravidade do surto da gripe, concluiu.

Um chinês deixa o Centro de Controle e Prevenção de Doenças em Pequim em 18 de abril de 2013 (Mark Ralston/AFP/Getty Images)
Um chinês deixa o Centro de Controle e Prevenção de Doenças em Pequim em 18 de abril de 2013 (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

O regime chinês também não alertou prontamente o público para o primeiro caso de morte de gripe aviáriaH7N4, uma mulher de 68 anos na cidade de Liyang, província de Jiangsu. Um alerta foi enviado pela Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar em 14 de fevereiro às autoridades de Hong Kong, que foi postado no website oficial do governo local.

Mas o próprio website da Comissão na China continental não mostrava notícias sobre essa morte. A mídia estatal também não informou sobre o caso.

Hua Po, um comentarista de assuntos contemporâneos da China radicado em Pequim, disse que o regime chinês tem uma história de encobrir surtos de doenças. Em 2003, a notícia do surto de SARS foi suprimida e retida pelo regime chinês, levando à disseminação da grave doença respiratória.

“Muitas pessoas inocentes e desinformadas morreram como resultado”, disse Hua. “A burocracia do Partido Comunista Chinês é a razão de as notícias e informações sobre doenças não serem divulgadas a tempo.”

Colaborou: Luo Ya

Fonte – Epoch Times

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