Massacre de “4 de junho”: 5 fatos ainda são pouco conhecidos

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Aviso: esta matéria contém imagens que podem chocar.

Após a súbita morte de um admirado reformador político, Hu Yaobang, 200 mil estudantes se reuniram na Praça Tiananmen em 22 de abril de 1989 e ali esperaram a passagem do carro funerário que transportava seu corpo, mas este nunca veio. A massa de estudantes ficou com raiva, e seu ardente desejo de liberdade não podia mais ser contido.

(Epoch Times)
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Pequim, China — 25 de maio: Agitando bandeiras, estudantes do ensino médio marcham nas ruas de Pequim perto da Praça Tiananmen, em 25 de maio de 1989, durante um protesto pró-democracia contra o regime chinês (Catherine Henriette/Getty Images)
Pequim, China — 25 de maio: Agitando bandeiras, estudantes do ensino médio marcham nas ruas de Pequim perto da Praça Tiananmen, em 25 de maio de 1989, durante um protesto pró-democracia contra o regime chinês (Catherine Henriette/Getty Images)

Durante as semanas seguintes, a Praça Tiananmen foi ocupada por estes estudantes que protestavam e queriam tornar realidade seu sonho de livrar o país da tirania comunista. Eles queriam uma reforma democrática na China. Sua manifestação não-violenta trouxe uma fagulha de esperança… até que o exército foi mobilizado.

22 de abril de 1989: várias centenas dentre os 200 mil manifestantes pró-democracia ficam frente a frente com soldados do lado de fora do Grande Salão do Povo na Praça Tiananmen, em Pequim, durante cerimônia fúnebre do ex-líder do Partido Comunista Chinês e reformista liberal Hu Yaobang (Catherine Henriette/Getty Imagaes)
22 de abril de 1989: várias centenas dentre os 200 mil manifestantes pró-democracia ficam frente a frente com soldados do lado de fora do Grande Salão do Povo na Praça Tiananmen, em Pequim, durante cerimônia fúnebre do ex-líder do Partido Comunista Chinês e reformista liberal Hu Yaobang (Catherine Henriette/Getty Imagaes)

Embora a Lei Marcial tenha sido declarada em 20 de maio, o que fez com que o exército de repente começasse um verdadeiro massacre em 4 de junho?

(Epoch Times)
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1. Ao menos 10.454 pessoas foram mortas pelo regime chinês na Praça Tiananmen, segundo uma fonte anônima do Conselho de Estado, número muito maior do que a contagem “oficial” de 200 mortos.

Em 4 de junho de 1989, os estudantes foram mortos a tiros e depois esmagados por tanques. “Os TBC [transportes blindados de pessoal] esmagaram os corpos uma e outra vez até formar uma “pasta” e os restos foram coletados por uma escavadeira. O que restou dos corpos foi incinerado e depois drenado pelo esgoto”, segundo parte de uma declaração não identificada obtida por Alan Donald, embaixador da Grã-Bretanha na China, em 1989.

Pequim, China — 04/06/1989: no fim do movimento pró-democrático na China, um grupo de tanques do exército chinês obstruiu passagem na Avenida Changan que leva à Praça Tiananmen, onde poucas horas antes o regime comunista atacou brutalmente os manifestantes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)
Pequim, China — 04/06/1989: no fim do movimento pró-democrático na China, um grupo de tanques do exército chinês obstruiu passagem na Avenida Changan que leva à Praça Tiananmen, onde poucas horas antes o regime comunista atacou brutalmente os manifestantes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)

Ainda não existe confirmação de quantos mais foram massacrados durante e depois do protesto pacífico dos estudantes.

 

2. O líder que incitou o massacre ainda está vivo

Além de esmagar os estudantes com tanques, o exército disparou projéteis de alto poder explosivo que se expandem com o impacto, conhecidos como balas dum dum (proibidas pela Convenção de Genebra), para matar os jovens da maneira mais prejudicial possível.

A pergunta que permanece é: que tipo de ser humano ordenaria um assassinato em massa tão brutal contra civis desarmados que pediam liberdade?

Ex-ditador chinês Jiang Zemin (Feng Li/Getty Images)
Ex-ditador chinês Jiang Zemin (Feng Li/Getty Images)

O ex-ditador Deng Xiaoping ficou impressionado com a proposta linha dura de Jiang Zemin de usar o exército para reprimir os estudantes, então promoveu-o de chefe do Partido de Xangai a secretário geral do Partido Comunista chinês dias antes do massacre, dando-lhe carta branca para fazer o que quisesse.

(Epoch Times)
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Jiang Zemin, o mentor por trás do massacre, ordenou que o exército concretizasse sua sangrenta estratégia em 4 de junho. O “Portão da Paz Celestial” (que é o significado de Tiananmen) tornou-se subitamente um inferno na Terra.

Esta foto de 4 de junho de 1989 mostra o transporte de duas pessoas feridas durante o ataque do exército contra os estudantes próximo à Praça Tiananmen (Manuel Ceneta/AFP/Getty Images)
Esta foto de 4 de junho de 1989 mostra o transporte de duas pessoas feridas durante o ataque do exército contra os estudantes próximo à Praça Tiananmen (Manuel Ceneta/AFP/Getty Images)

3. O massacre da Praça Tiananmen foi só o começo do abuso implacável de poder por parte de Jiang Zemin. Desde então, ele passou a cometer os crimes mais hediondos que alguém já ousou cometer.

No sangrento rastro do massacre, Jiang transformou-se no herdeiro ideal de Deng, seu sucessor como chefe do Partido, uma posição que Jiang conseguiu em 1993.

Pequim, China, 1989: corpos empilhados das vítimas do massacre (Dario Mitidieri/Getty Images)
Pequim, China, 1989: corpos empilhados das vítimas do massacre (Dario Mitidieri/Getty Images)

O ditador, um marxista linha dura e ex-espião de alto escalão do Escritório da KGB no Extremo Oriente, mal tinha começado a mostrar seu verdadeiro rosto quando se deparou com o protesto dos estudantes, após o qual ele prosseguiu organizando campanhas ainda mais sangrentas.

Em 1999, um ciumento Jiang tentou “erradicar” o Falun Dafa, uma prática popular da meditação e de disciplina espiritual, porque seus praticantes totalizavam aproximadamente 100 milhões na China, superando os 70 milhões de membros do Partido Comunista, segundo informações oficiais da época.

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Sob o comando de Jiang, uma maciça campanha de desinformação inundou a China com a intenção de colocar a opinião pública contra o Falun Dafa, submetendo esta prática espiritual a uma difamação extrema — incluindo a farsa da “autoimolação” na Praça Tiananmen que conseguiu enganar toda a nação — e que pavimentou o caminho para a próxima fase de Jiang: “transformar” à força ou “eliminar” os praticantes do Falun Dafa que se recusavam a renunciar às suas crenças.

Policiais chineses à paisana portando uma faca tentam "silenciar" um praticante do Falun Dafa (ou Falun Gong) na China (Epoch Times)
Policiais chineses à paisana portando uma faca tentam “silenciar” um praticante do Falun Dafa (ou Falun Gong) na China (Epoch Times)

Em resposta à política genocida de Jiang, que acredita-se tenha causado um número enorme — mas difícil de verificar — de homicídios aprovados pelo Estado, incluindo a extração forçada de órgãos, desde então foram iniciados 209 mil processos contra Jiang, tornando-o o ditador mais processado da história.

Praticantes do Falun Dafa em uma manifestação na frente do Consulado chinês em Nova York em 3 de julho de 2015, em apoio ao esforço mundial de processar Jiang Zemin (Larry Dye/Epoch Times)
Praticantes do Falun Dafa em uma manifestação na frente do Consulado chinês em Nova York em 3 de julho de 2015, em apoio ao esforço mundial de processar Jiang Zemin (Larry Dye/Epoch Times)

4. Relatos estarrecedores do que aconteceu na Praça Tiananmen foram mantidos em segredo

Um repórter do jornal Blacklock obteve mensagens secretas telegrafadas contando terríveis histórias do que realmente aconteceu na Praça Tiananmen naquele dia, através de leis de acesso à informação.

“Uma idosa se ajoelhou na frente dos soldados e implorou pela vida dos estudantes; os soldados a mataram”, informou a embaixada canadense em Pequim, na época.

Pequim, China (Manuel Ceneta/AFP/Getty Images)
Pequim, China (Manuel Ceneta/AFP/Getty Images)

“Uma criança foi vista tentando escapar junto com uma mulher e uma criança de 2 anos de idade em um carrinho de bebê; eles foram atingidos por um tanque, que deu meia volta e os esmagou”.

“Os soldados dispararam metralhadoras até acabar a munição”. Foi disparada uma quantidade incrível de balas contra civis em Tiananmen, as quais “acabaram invadindo as casas próximas e matando muitos residentes”, acrescenta o documento.

(Peter Turnley/Corbis/VCG/Getty Images)
(Peter Turnley/Corbis/VCG/Getty Images)

“A embaixada descreveu os assassinatos como ‘selvagens’”, segundo o jornal Blacklock.

“Eles agora estão entrando em um período de repressão viciosa durante a qual as denúncias e o medo da perseguição aterrorizará a população”, dizia outro dos telegramas obtidos.

Pequim, China — 04/06/1989: ao final do movimento pró-democrático na China, soldados chineses bloqueiam a passagem na Avenida Changan que conduz à Praça Tiananmen, onde o regime comunista havia realizado sua repressão brutal final contra os manifestantes algumas horas antes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)
Pequim, China — 04/06/1989: ao final do movimento pró-democrático na China, soldados chineses bloqueiam a passagem na Avenida Changan que conduz à Praça Tiananmen, onde o regime comunista havia realizado sua repressão brutal final contra os manifestantes algumas horas antes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)

Diplomatas mencionaram também que cerca de 1.000 execuções ocorreram após o massacre de Tiananmen, mas não foi possível obter um número exato.

“Eles provavelmente pensaram que massacrar algumas centenas ou milhares convenceria a população a não continuar com seus protestos. Parece que isso está funcionando”, declarou um diplomata.

Pequim, China — 04/06/1989: Ao final do movimento pró-democracia na China, ciclistas pararam para observar as bicicletas esmagadas pelos tanques do exército chinês usados durante a brutal repressão do regime comunista nas últimas horas na noite (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)
Pequim, China — 04/06/1989: Ao final do movimento pró-democracia na China, ciclistas pararam para observar as bicicletas esmagadas pelos tanques do exército chinês usados durante a brutal repressão do regime comunista nas últimas horas na noite (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)

O telegrama britânico secreto, obtido pelo site web de notícias HK01, revela mais detalhes sobre os crimes do Exército n.º 27 na província de Shanxi.

Pequim, China (Manuel Ceneta/Getty Images)
Pequim, China (Manuel Ceneta/Getty Images)

“O Exército n.º 27 deu ordens aos soldados de não se apiedarem de ninguém e mandou matar os soldados feridos. Quatro estudantes feridas imploraram por suas vidas, mas foram mortas com o uso de baionetas. Uma menina de 3 anos de idade foi ferida, mas sua mãe levou um tiro quando foi em seu auxílio, assim como seis outras pessoas que tentaram ajudá-la também”, diz o telegrama.

Pequim, China — 04/06/1989: ao fim do movimento pró-democracia na China, um ciclista solitário cruza as barreiras da Avenida Changan esmagadas por tanques do exército chinês durante a noite de violência na Praça Tiananmen e arredores. Depois de semanas de protestos, horas antes desta foto ser tirada, o regime comunista realizou sua última repressão brutal sobre os manifestantes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)
Pequim, China — 04/06/1989: ao fim do movimento pró-democracia na China, um ciclista solitário cruza as barreiras da Avenida Changan esmagadas por tanques do exército chinês durante a noite de violência na Praça Tiananmen e arredores. Depois de semanas de protestos, horas antes desta foto ser tirada, o regime comunista realizou sua última repressão brutal sobre os manifestantes (Peter Charlesworth/LightRocket/Getty Images)

“Mil sobreviventes foram informados de que poderiam escapar através de Zhengyi Lu, mas ao fugir foram abatidos por metralhadoras estrategicamente posicionadas”.

5. O massacre de “4 de junho” é considerado um assunto tabu hoje em dia na China

Embora em todo 4 de junho Hong Kong se ilumine à luz de velas em uma vigília anual para relembrar as vítimas do massacre, os chineses do continente não têm tal liberdade de expressão. Falar sobre o massacre da Praça Tiananmen, ou apenas mencionar “4 de junho” ou “6.4”, pode fazer com que alguém desapareça.

Hong Kong — 4 de junho: milhares de pessoas se reúnem em Victoria Park para prestar homenagens no 25º aniversário dos protestos da Praça Tiananmen com uma vigília à luz de velas em 4 de junho de 2014, em Hong Kong (Jessica Hromas/Getty Images)
Hong Kong — 4 de junho: milhares de pessoas se reúnem em Victoria Park para prestar homenagens no 25º aniversário dos protestos da Praça Tiananmen com uma vigília à luz de velas em 4 de junho de 2014, em Hong Kong (Jessica Hromas/Getty Images)

Em 2007, Zhang Zhongshun, professor da Universidade de Yantai, mostrou para sua classe um vídeo sobre o massacre que ele conseguiu através de um site da internet no exterior. Depois disso, ele ficou preso por três anos.

Manifestante em Pequim tenta bloquear a passagem de um comboio de tanques na Avenida da Paz Eterna perto da Praça Tiananmen. Durante semanas, as pessoas protestaram pedindo liberdade de expressão e liberdade de imprensa para o regime chinês (Bettmann/Getty Images)
Manifestante em Pequim tenta bloquear a passagem de um comboio de tanques na Avenida da Paz Eterna perto da Praça Tiananmen. Durante semanas, as pessoas protestaram pedindo liberdade de expressão e liberdade de imprensa para o regime chinês (Bettmann/Getty Images)

Quem ousaria iniciar um debate sobre isso na China conhecendo as consequências?

(Epoch Times)
(Epoch Times)

Este ano marca o 29º aniversário do Massacre da Praça Tiananmen. Será que Xi Jinping tentará fazer uma compensação, levando Jiang Zemin à justiça para pagar por todos os seus crimes? Só o tempo dirá.

Fonte – Epoch Times

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