Trump e Kim dão aperto de mãos histórico em Singapura

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Donald Trump e Kim Jong-un realizam nesta terça-feira (segunda-feira em Brasília) um encontro histórico. O aguardado aperto de mãos entre o presidente americano e o líder norte-coreano ocorreu às 9h05 de terça-feira em Singapura (22h05 desta segunda-feira – hora de Brasília), no Hotel Capella, na ilha de Sentosa.

Quando sentou ao lado de Kim, Trump disse ter esperança de que a cúpula será “tremendamente bem-sucedida”. “Teremos um ótimo relacionamento pela frente.” O ditador norte-coreano disse em seguida que havia uma série de “obstáculos” para o encontro. “Nós superamos esses obstáculos e estamos aqui hoje”, disse a repórteres, por meio de um tradutor.

Em seguida, os dois líderes realizaram uma reunião a portas fechadas. Donald Trump afirmou que sua reunião com Kim Jong-un foi “muito, muito boa”. Além disso, acrescentou que eles têm uma “excelente relação”.

SAUL LOEB / AFP

Os Estados Unidos e Coreia do Norte têm um longo histórico de tensões, que remonta à Guerra da Coreia.

– Península coreana dividida –

Em 1945, a ocupação japonesa da Península da Coreia termina com sua derrota na Segunda Guerra Mundial. A Coreia é dividida pelo paralelo 38 entre o Norte, governado por Kim Il-Sung com o apoio soviético, e o Sul, protegido pelos Estados Unidos.

Em junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul com o apoio da China e da União Soviética. Uma coalizão liderada pelos Estados Unidos retoma Seul.

Em julho de 1953 é firmado um armistício que jamais se converteu em um acordo de paz, e Washington adota sanções contra a Coreia do Norte.

– Crise do “navio espião” –

Em janeiro de 1968, a Coreia do Norte captura o USS Pueblo, um “navio espião” americano. Seus 83 tripulantes são libertados após 11 meses de detenção. Segundo Pyongyang, o navio violou suas águas territoriais, algo que os Estados Unidos nega.

Em 1969, a Coreia do Norte derruba um avião de reconhecimento americano.

– Contatos –

Em junho de 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter realiza uma inédita viagem à Coreia do Norte, com a autorização do então presidente, Bill Clinton.

Em outubro, três meses após a morte de Kim Il-Sung, que é sucedido por seu filho Kim Jong-Il, Pyongyang e Washington firmam um acordo bilateral no qual a Coreia do Norte se compromete a desmantelar seu programa nuclear militar em troca de ajuda para a construção de reatores civis.

Em 1998, a Coreia do Norte realiza um tiro de míssil balístico de longo alcance, mas um ano depois Kim Jong-Il decreta uma moratória de seus testes de mísseis e Washington alivia as sanções.

Em outubro de 2000, a então secretária americana de Estado, Madeleine Albright, se reúne com Kim em Pyongyang.

SAUL LOEB / AFP

– “Eixo do mal” –

Em janeiro de 2002, o presidente americano George W. Bush situa Coreia do Norte, Iraque e Irã no que chama de “Eixo do mal”.

Em outubro do mesmo ano, Washington acusa Pyongyang de conduzir um programa secreto de urânio altamente enriquecido, violando o acordo de 1994.

Em agosto de 2004, Pyongyang declara que é “impossível” participar de novas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, qualificando Bush de “tirano” pior que Hitler e “imbecil político”.

Em 2006, a Coreia do Norte realiza seu primeiro teste nuclear.

– Retirada da lista negra –

Em outubro de 2008, Washington retira Pyongyang da lista negra de países que apoiam o terrorismo, na qual figurava desde 1988 por seu suposto envolvimento na destruição, em 1987, de um avião comercial sul-coreano (com 115 pessoas a bordo), em troca do controle de “todas as instalações nucleares” do regime comunista.

– Trump x Kim –

No dia 2 de janeiro de 2017, Donald Trump afirmou que a Coreia do Norte jamais poderia desenvolver um míssil nuclear capaz de atingir o território americano.

Em julho, Pyongyang testou mísseis intercontinentais e o agora líder Kim Jong-Un declarou que “todo o território americano estava a seu alcance”.

Em 8 de agosto, Trump promete “fogo e ira” contra a Coreia do Norte.

Em 29 de agosto, Pyongyang testa um míssil balístico que sobrevoa o território japonês e Trump diz que “discutir” com a Coreia do Norte “não é a solução”.

No dia 3 de setembro, os norte-coreanos realizam seu sexto teste nuclear, afirmando que explodiram uma bomba H.

Após afirmar na ONU que “destruirá totalmente” a Coreia do Norte e qualificar Kim Jong-Un de “homem foguete”, Trump enviou em 23 de setembro bombardeios às imediações da costa norte-coreana.

Pyongyang reagiu ameaçando derrubar os aviões e acusando Trump de “declarar guerra”.

Em 26 de setembro, Washington sanciona oito bancos norte-coreanos e 26 cidadãos do país acusados de financiar o desenvolvimento do programa nuclear de Pyongyang.

– Convite histórico –

Em fevereiro de 2018, os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, marcam uma reaproximação entre Norte e Sul e os emissários de ambos países se encontram em Pyongyang. O conselheiro de segurança da presidência sul-coreana, Chung Eui-yong, revela a disposição de Kim Jong Un para um diálogo franco” com os Estados Unidos visando discutir a eliminação das armas nucleares da Península.

No dia 8 de março, durante visita à Casa Branca, Chung anuncia que Kim convidou Trump para um encontro nos próximos meses, o que é aceito pelo líder americano.

Em 27 de abril, uma cúpula excepcional reúne Kim Jong Un e o presidente sul-coreano Moon Jae-in na Zona Desmilitarizada.

Em 24 de maio, no entanto, o presidente americano cancela o encontro previsto para o dia 12 de junho em Singapura.

Mas em 2 de junho, Donald Trump confirma a realização da reunião depois de ter recebido na Casa Branca o braço direito do líder norte-coreano, o general Kim Yong Chol.

Fonte – ISTOÉ

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