Embaixador chinês adverte sobre ‘repercussões’ se Canadá banir Huawei de 5G

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Uma foto tirada do vídeo da CCTV mostra o canadense Robert Lloyd Schellenberg no tribunal, onde foi sentenciado com pena de morte por contrabando de drogas, em Dalian, província de Liaoning, China, em 14 de janeiro de 2019 (CCTV via Reuters)

China condenou outro canadense à morte em 14 de janeiro, em um novo julgamento de seu caso de contrabando de drogas

O embaixador chinês, Lu Shaye, disse que a prisão da executiva da Huawei Technologies pelo Canadá foi um ato de “traição” de um amigo.

E Lu alerta para “repercussões” se o Canadá impedir a empresa de participar da sua nova rede 5G por razões de segurança, assim como três de seus aliados de compartilhamento de inteligência o fizeram.

Em uma rara entrevista com jornalistas canadenses, Lu também disse ao primeiro-ministro Justin Trudeau para recuar o apoio internacional na disputa do Canadá com a China. Ele disse que seria uma má ideia para a ministra de Relações Exteriores, Chrystia Freeland, usar a próxima cúpula do Fórum Econômico Mundial em Davos para pressionar o caso.

Lu disse que as relações econômicas entre os dois países podem ser reparadas e o impasse atual pode ser resolvido por meio de negociações, mas ele defendeu a prisão de dois canadenses na China e criticou a prisão da executiva de telecomunicações no Canadá, dizendo que Meng Wanzhou não violou nenhuma lei canadense.

O Canadá deteve Meng, em Vancouver, no último dia 1 de dezembro, a pedido das autoridades americanas, que querem que ela enfrente acusações de fraude por suas transações com bancos americanos. Ela está sob fiança e enfrenta processos de extradição.

A China deteve Michael Kovrig, um diplomata canadense de licença, e Michael Spavor, um empresário, após a prisão de Meng por alegações vagas de “participar de atividades que ponham em perigo a segurança nacional”. Analistas ocidentais acreditam que suas prisões são diretamente uma tentativa de pressionar o Canadá a libertar Meng.

A China também condenou outro canadense, Robert Lloyd Schellenberg, à morte em 14 de janeiro, em um novo julgamento de seu caso de contrabando de drogas. Ele foi originalmente sentenciado em 2016 a 15 anos de regime fechado, mas o tribunal proferiu a nova sentença após reconsiderar seu caso.

Um ex-ministro da Justiça Liberal acusou a China de usar “diplomacia de reféns” contra os três.

Irwin Cotler, fundador do Centro para os Direitos Humanos de Raoul Wallenberg, criticou a China por caracterizarem a detenção de Meng no Canadá como “vil, inconcebível e perversa”.

“Essas palavras definem e descrevem a diplomacia de refém da China desde então – incluindo a detenção dos canadenses Michael Kovrig e Michael Spavor e a sentença de morte arbitrária e cruel de Robert Schellenberg”, disse Cotler em um e-mail à imprensa canadense.

“Mas nada expõe e desmascara o desprezo da China pelo Estado de Direito, tanto na China quanto no Canadá, e sua própria conduta ‘vil, inconcebível e má’ do que seu tratamento cruel e desumano de Ti-Anna Wang e sua filha bebê” disse Cotler.

Na semana passada, Wang chegou ao sul da China onde seu pai, Wang Bingzhang – considerado o pai do malogrado movimento pró-democracia internacional da China – foi preso desde que agentes chineses o sequestraram no Vietnã em 2002 e o levaram de volta para a República Popular da China.

A China tem consistentemente negado as tentativas de Wang de visitar seu pai por quase uma década, já que sua saúde está em declínio.

Em agosto, Wang recebeu um novo visto chinês, mas quando chegou ao sul da China na semana passada com o marido e a filha de 11 meses, ela foi recusada depois de seis horas no aeroporto. Ela foi mandada de volta para a Coreia do Sul, onde esteve visitando a família do marido.

Em 16 de janeiro, enquanto ela e sua família trocavam os vôos em Pequim na viagem de volta ao Canadá, Wang disse que meia dúzia de agentes chineses embarcaram em seu voo, levaram ela e a filha sob custodia e as separaram do seu marido.

Duas horas depois, elas foram forçadas a embarcar num voo diferente e enviadas de volta à Coreia do Sul. A família de Wang teve que refazer sua viagem de volta a Montreal em um novo voo da Coreia do Sul que as levou pelos Estados Unidos.

“Ao contrário da última vez, nenhuma pergunta foi feita. Não foi permitido usar meu telefone ou computador ou entrar em contato com a embaixada canadense. Eu não pude consultar meu marido, a quem não vi novamente até sermos escoltadas até o portão, ou entrar em contato com a Air Canada para refazer o voo ”, disse Wang em um e-mail da Coréia do Sul.

“Foi uma provação chocante, aterrorizante e sem sentido, sem propósito, a não ser o de intimidar, punir e inibir a mim e a minha família”, escreveu ela.

O Ministério das Relações Exteriores do Canadá não fez comentários sobre o tratamento de Wang pelas autoridades chinesas.

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