Governo do Peru censura mostra de pinturas sobre direitos humanos no mesmo dia em que recebe doação da China

0
27
Exposição de Arte "Verdade, Benevolência, Tolerância" na Sala Paracas do Ministério da Cultura do Peru em Lima, em janeiro de 2019 (Associação do Falun Dafa do Peru)

Existe um histórico de tentativas do regime chinês de interferir nas atividades realizadas pelas associações do Falun Dafa em todo o mundo

O ministro da Cultura do Peru, Rogers Valencia, foi criticado depois que seus funcionários suspenderam a Exposição Internacional de Arte Zhen, Shan, Ren (Verdade, Benevolência e Tolerância) produzida por artistas chineses e internacionais, fato que ocorreu no mesmo dia em que Ministério da Defesa anunciouque recebeu uma doação de Pequim no valor de 18 milhões de dólares.

“Houve censura devido à pressão política promovida pela embaixada da República Popular da China no Peru”, disse Patricia Valencia, representante da exposição. “A situação é lamentável, especialmente para todas as pessoas que esperavam ver a exposição durante este mês e não conseguirão”, disse a representante ao Epoch Times.

Exposição de Arte "Verdade, Benevolência, Tolerância" na Sala Paracas do Ministério da Cultura do Peru em Lima, em janeiro de 2019 (Associação do Falun Dafa do Peru)
Exposição de Arte “Verdade, Benevolência, Tolerância” na Sala Paracas do Ministério da Cultura do Peru em Lima, em janeiro de 2019 (Associação do Falun Dafa do Peru)

A exposição, que já foi apresentada em 200 cidades de 40 países, concentra-se na disciplina espiritual do Falun Dafa. Esta disciplina da Escola Buda tornou-se muito popular na China nos anos 90; mas a partir de 1999, o regime comunista chinês considerou-a uma ameaça e iniciou uma perseguição brutal que continua até hoje.

As obras da exposição retratam a experiência dos artistas ao praticar o Falun Dafa, sua meditação e exercícios, como a disciplina se tornou popular e começou a se espalhar pelo mundo, e também como os praticantes na China são brutalmente perseguidos por sua fé, entre eles, vários dos artistas participantes da exposição.

Algumas das pinturas incluídas na Exposição Internacional "A Arte da Verdade, Benevolência e Tolerância"
Algumas das pinturas incluídas na Exposição Internacional “A Arte da Verdade, Benevolência e Tolerância”

“Durante os primeiros três dias em que foi aberto ao público, tivemos cerca de 1.400 visitantes e muitos comentários positivos, muitas pessoas ficaram comovidas com as pinturas e muitas delas nos agradeceram pela oportunidade de vê-las no Ministério da Cultura, nos pedindo para divulgá-las mais. Filas se formaram do lado de fora da sala por pessoas que estavam ansiosas para entrar e apreciar a mostra”, disse a representante.

Apesar do sucesso da exposição, no dia 8 de janeiro, Karen Calderón, assessora de gabinete do Ministério da Cultura do Peru, ordenou que a mostra não fosse aberta ao público.

Os organizadores foram notificados apenas no dia seguinte. “Na quarta-feira, 9 de janeiro, às 21h43, recebemos um aviso oficial que informava o cancelamento da mostra, alegando que não tínhamos autorização para usar a Câmara, mesmo tendo sido o próprio OCII que emitiu a permissão” , disse Valência.

A Associação do Falun Dafa do Peru, organizadora da mostra, realizou todos os procedimentos necessários para a aprovação da mesma, conforme registro no arquivo nº 0000112389-2018, com a expressa aprovação do Ministério a partir de 17 de outubro de 2018, através do ofício n.º 900074-2018/OCII/SG/MC. A exposição deveria ser apresentada entre os dias 4 e 30 de janeiro.

“Informo que temos disponibilidade da Sala Paracas para o mês de janeiro de 2019”, afirma o documento de aprovação assinado por Marisol Magallanes Pineda, então chefe do Gabinete de Comunicação e Imagem Institucional do Ministério da Cultura em 2018.

Pedido da Exposição "Verdade, Benevolência, Tolerância" aceita pelo Ministério da Cultura do Peru
Pedido da Exposição “Verdade, Benevolência, Tolerância” aceita pelo Ministério da Cultura do Peru

“Além disso, a exposição artística que está sendo proposta foi incluída na programação de atividades culturais deste ministério, que contribui para a difusão das artes plásticas tradicionais e contemporâneas”, acrescenta a carta de aprovação.

A mostra foi reconhecida como um valor cultural de relevância pelo próprio Ministério em 2018.

A Exposição também contou com a coordenação prévia de Omar Huayta Hidalgo, administrador do Centro Cultural, que revisou o projeto e o roteiro museográfico.

A equipe organizadora destacou o fato de que “existe um histórico de tentativas do regime chinês de interferir nas atividades realizadas pelas associações do Falun Dafa em todo o mundo, por isso acreditamos que a razão para o cancelamento de nossa exposição seja a interferência que a embaixada chinesa pode ter exercido no Ministério da Cultura para que o órgão censurasse a exposição, uma vez que os artistas praticam o Falun Dafa, uma disciplina de meditação que desde 1999 é perseguida pelo regime comunista chinês. Algumas das pinturas que fazem parte da exposição retratam justamente essa realidade que ainda existe na China”.

Carta do Ministério da Cultura do Peru em que notificam o encerramento da mostra
Carta do Ministério da Cultura do Peru em que notificam o encerramento da mostra

Ministério da Defesa anuncia doação da China

Um fato que reforça a ideia de que a verdadeira razão para o encerramento da exposição de arte foi a pressão feita pela Embaixada da China é que o Ministério da Defesa do Peru anunciou, em 8 de janeiro, que recebeu uma doação da China para as Forças Armadas.

“O presidente da República e o ministro da Defesa destacaram a cooperação chinesa com o nosso país. Os veículos e equipamentos doados estão avaliados em cerca de 18 milhões de dólares”, disse o comunicado.

Essa doação é um caso já típico de como a China usa esse tipo de expediente (que em outros casos pode assumir a forma de investimentos ou empréstimos) para depois exercer sua influência política nas decisões internas do país, afetando desde as relações com outros países até questões culturais, como no caso da Exposição Verdade, Benevolência, Tolerância.

Fergus Hodgson, editor executivo da Antigua Report e colunista do Epoch Times, disse em um de seus artigos que “embora a isca inicial seja tentadora e os chineses inicialmente não estejam buscando ganhos financeiros explícitos, o custo dos juros em termos de autonomia, privacidade e independência serão muito altos. Podem ter certeza de que os comunistas de Pequim estão determinados a tirar proveito de seus investimentos, mesmo que seja em moeda geopolítica, e não promoverão a democracia liberal e o livre mercado.”

Comentários deixados pelos visitantes da mostra

Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte "Verdade, Benevolência, Tolerância" (Epoch Times)
Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte “Verdade, Benevolência, Tolerância” (Epoch Times)
Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte "Verdade, Benevolência, Tolerância" (Epoch Times)
Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte “Verdade, Benevolência, Tolerância” (Epoch Times)
Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte "Verdade, Benevolência, Tolerância" (Epoch Times)
Comentários deixados no Livro de Visitantes da Exposição de Arte “Verdade, Benevolência, Tolerância” (Epoch Times)

CURTA O CONSERVADORISMO DO BRASIL NO FACEBOOK

COMENTÁRIOS