Possível governo de transição da Venezuela continua recebendo apoio da comunidade internacional

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Guaidó vê a próxima mobilização como um chamado à ação para expulsar Maduro. Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela (AN, Parlamento), o opositor Juan Guaidó (centro) participa de uma concentração de opositores ao governo (Agência EFE)

Presidente em exercício Juan Guaidó está convocando para o dia 23 de janeiro uma grande manifestação em apoio à Assembleia e contra Nicolás Maduro

Desde que o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidópediu ontem o apoio de seus cidadãos e da comunidade internacional para assumir o comando do Executivo daquele país, tanto ele como a Assembleia que preside receberam diferentes demonstrações de apoio para trazer de volta a democracia à Nação.

O governo brasileiro comemorou que Juan Guaidó esteja disposto a “assumir constitucionalmente” a presidência do país antes da “ilegitimidade” da investidura de Nicolás Maduro.

“O Brasil continua empenhado em ajudar o povo venezuelano a recuperar a liberdade e a democracia, e continuará a coordenar com os outros atores imbuídos do mesmo objetivo”, disse o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em comunicado.

Assim reagiu o Brasil ao pedido de apoio de Guaidó, empossado em 5 de janeiro como presidente do Parlamento, de maioria opositora.

O governo brasileiro já descreveu na última quinta-feira como “ilegítimo” o novo mandato de Maduro e reafirmou seu “total apoio” ao Parlamento, afirmando: “cabe ao Parlamento, neste momento, assumir o poder executivo” no país vizinho.

Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa no Palácio do Planalto em Brasília, em 7 de janeiro de 2019 (Evaristo Sá/AFP/Getty Images)
Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, discursa no Palácio do Planalto em Brasília, em 7 de janeiro de 2019 (Evaristo Sá/AFP/Getty Images)

Maduro foi reeleito em maio passado em uma eleição que a oposição e muitos países da América e Europa consideram “fraudulenta” por causa da impossibilidade dos principais líderes da oposição de competir.

Colômbia

O presidente colombiano, Iván Duque, insistiu ontem (12) que os países democráticos devem pedir que a Venezuela seja libertada da “ditadura”.

“Hoje, todos os povos que defendem a democracia na América Latina, no continente, devem pedir que a Venezuela seja libertada da ditadura e que retorne à democracia”, disse o chefe de Estado quando esteve em Yopal, capital do departamento de Casanare, onde se reuniu com a comunidade.

O líder colombiano lembrou que o Grupo de Lima “em um evento histórico” produziu uma declaração visando defender a democracia no continente e também reconhecendo “a Assembleia Nacional da Venezuela como o único órgão democrático legítimo existente naquele país”.

O bloco, formado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia, também instou o ditador venezuelano a não assumir a presidência da Venezuela.

Nesse sentido, o presidente colombiano assegurou que este documento “estabeleceu um precedente” para que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tome a mesma decisão.

Duque se refere à decisão tomada pela OEA de “não reconhecer a legitimidade do período do regime de Maduro a partir de 10 de janeiro de 2019”.

A medida foi tomada após uma iniciativa apresentada pela Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Peru e Paraguai, durante uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA.

Estados Unidos

Os Estados Unidos lembraram no sábado que não reconhecem a polêmica posse de Nicolás Maduro para um segundo mandato como presidente da Venezuela, e salientaram que o presidente é um “ditador”.

“Os Estados Unidos não reconhecem a posse ilegítima do ditador Nicolás Maduro. Sua ‘eleição’ em maio de 2018 foi vista internacionalmente como: nem livre, nem justa, nem credível “; observou o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, em um comunicado.

Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, discursa durante almoço da Sociedade Federalista, em Washington (EUA), em 10 de setembro de 2018 (Arquivo Agência EFE)
Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, discursa durante almoço da Sociedade Federalista, em Washington (EUA), em 10 de setembro de 2018 (Arquivo Agência EFE)

Maduro tomou posse nesta quinta-feira (10) para um segundo mandato como presidente da Venezuela em meio a críticas internacionais, lideradas pelos Estados Unidos e vários países latino-americanos, sobre a legitimidade de seu novo mandato.

Apenas quatro presidentes dos 19 países da América Latina participaram da cerimônia de posse: o da Bolívia, Evo Morales; o de Cuba, Miguel Díaz-Canel; o de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén; e o da Nicarágua, Daniel Ortega.

Em sua nota, Bolton argumentou que a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoia a Assembleia Nacional da Venezuela, “único ramo legítimo do governo devidamente eleito pelo povo venezuelano”.

Em particular, a Casa Branca destacou a “decisão corajosa” do líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que disse que tentará expulsar Maduro do poder declarando que ele está usurpando a presidência.

Chile

O governo do Chile também expressou hoje seu “apoio irrestrito” à Assembleia Nacional da Venezuela contra o que considera um juramento ilegítimo de Nicolás Maduro para um novo mandato presidencial naquele país, informaram fontes oficiais.

“O governo do Chile reafirma seu apoio irrestrito à Assembleia Nacional da Venezuela, único poder do Estado legítima e democraticamente eleito”, disse um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores.

O texto também faz um apelo para “respeitar todas as suas atribuições sob a Constituição e as leis”, em alusão ao Legislativo venezuelano, cujo novo presidente, Juan Guaidó, anunciou, após ser eleito como presidente em exercício na sexta-feira, sua disposição de “lutar pela restauração da ordem institucional”.

Presidente do Chile, Sebastián Piñera, expressa seu "apoio irrestrito" à Assembleia Nacional Venezuelana (Arquivo Agência EFE)
Presidente do Chile, Sebastián Piñera, expressa seu “apoio irrestrito” à Assembleia Nacional Venezuelana (Arquivo Agência EFE)

Já na última quinta-feira, quando Maduro foi novamente empossado como presidente, o presidente chileno, Sebastián Piñera, informou que havia se comunicado com Juan Guaidó para transmitir-lhe seu “apoio absoluto”.

“Hoje falei com o deputado Juan Guaidó, democraticamente eleito presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, para transmitir-lhe nosso apoio absoluto”, disse Piñera em sua conta no Instagram.

“A crise que a Venezuela atravessa deve ser resolvida pelos próprios venezuelanos e de maneira pacífica”, disse hoje em comunicado o Ministério das Relações Exteriores, que afirma que o Chile “acompanha todas as forças democráticas venezuelanas em seus esforços para recuperar a democracia e a liberdade”.

Como um passo a mais dado por Juan Guaidó para que a Assembleia Nacional assuma as funções que Maduro pretende exercer, Guaidó se reuniu hoje com setores do país para conseguir, segundo ele, “que toda ação decretada pela Assembleia seja real”, contando com o apoio de todos os cidadãos, incluindo “trabalhadores, enfermeiros, educadores e estudantes”.

Além disso, ele está convocando para o dia 23 de janeiro uma grande manifestação em apoio à Assembleia e contra Nicolás Maduro.

Na profunda e prolongada espiral da crise que a Venezuela atravessa, com uma hiperinflação de mais de 1.000.000% ao ano e uma grave escassez de alimentos e remédios, 2,5 milhões de venezuelanos deixaram o país.

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