China obriga muçulmanos uigures a comer carne de porco e beber álcool durante Ano Novo chinês

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    Foto tirada em 25 de junho de 2017 mostra a polícia fazendo ronda em um mercado noturno de alimentos na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, na China (Johannes Eisele/AFP/Getty Images)

    “De acordo com nossas informações, o regime chinês está intensificando sua campanha para assimilar os uigures à cultura chinesa Han”

    As autoridades chinesas estão obrigando muçulmanos uigures a comer carne de porco, beber álcool e celebrar a festa do Ano Novo chinês, segundo a Radio Free Asia (RFA).

    Os uigures são uma minoria étnica turca, a maioria dos quais pratica o islamismo e reside na região noroeste da China conhecida como Xinjiang. Tradicionalmente, eles não comemoram o Ano Novo Lunar, e o consumo de carne de porco e álcool é estritamente proibido pelo Islã.

    Nos últimos anos, as autoridades chinesas intensificaram a perseguição ao grupo étnico, incluindo a prisão de uigures e o envio para centros de detenção, onde são submetidos a doutrinação política e forçados a renunciar à sua fé. As Nações Unidas estimam que há cerca de um milhão de uigures e outras minorias muçulmanas detidas nos chamados “centros de reeducação profissional”.

    Ex-prisioneiros relataram abusos de direitos humanos dentro dos centros, como tortura, injeção de drogas e estupro.

    Autoridades locais da prefeitura de Ili Kazaj, em Xinjiang, convidaram os moradores uigures para um jantar de comemoração ao Ano Novo chinês no qual foi servida carne de porco, e ameaçaram mandar os convidados para os “centros de reeducação” se se recusassem a comer, de acordo com um relatório da RFA em 6 de fevereiro.

    Outro morador disse à RFA que as tentativas de forçar os muçulmanos a comer carne de porco começaram no final de 2018.

    Funcionários da prefeitura percorreram as ruas colando versos de poesia sobre o Ano Novo Lunar nas portas de casas uigures e kazajes e dando-lhes carne de porco, de acordo com uma mulher chamada Kesay, que pertence à minoria kazaje.

    “Se não deixamos que eles coloquem os versos ou pendurem lanternas vermelhas, eles dizem que temos duas caras e nos mandam para campos de reeducação”, disse ela.

    A recente tentativa de forçar os muçulmanos uigures a desobedecerem a seus princípios religiosos faz parte da campanha do regime chinês para reprimir sua fé. O regime chinês usou a desculpa de estar combatendo o terrorismo e a radicalização religiosa para na verdade perseguir os muçulmanos uigures.

    Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial de Uigures, uma organização formada para os uigures no exílio, disse à RFA que eles receberam relatos semelhantes sobre o que estava acontecendo nos lares uigures.

    “De acordo com nossas informações, o regime chinês está intensificando sua campanha para assimilar os uigures à cultura chinesa Han”, disse ele. Os chineses Han são o grupo étnico maioritário na China.

    Em meio à crítica internacional aos “centros de reeducação”, Shohrat Zakir, presidente do Partido Comunista da região de Xinjiang, fez essas declarações para justificar sua existência.

    “Estamos ensinando o idioma nacional comum, as leis e regulamentos para que eles conheçam o país e o mundo, bem como seus direitos, obrigações e deveres legais”, disse Zakir a um pequeno grupo de jornalistas estrangeiros que receberam permissão para visitar os centros no sul de Xinjiang no início de janeiro.

    Ele também afirmou que os centros foram construídos para transformar e educar aqueles que o Partido Comunista Chinês considera sob risco de influência das “três forças do mal” do “extremismo, separatismo e terrorismo”.

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