EUA apoiam coligação formada para promover liberdade religiosa na China

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Sam Brownback, embaixador geral dos EUA para a liberdade religiosa internacional, fala durante coletiva de imprensa para anunciar a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC) no auditório do Congresso no Centro de Visitantes do Capitólio, Washington, em 4 de março de 2019 (Jennifer Zeng / Epoch Times)

Os uigures acreditam que “há pelo menos três milhões de pessoas em campos de concentração”

O embaixador dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional, Sam Brownback, e o representante democrata de Massachusetts, James P. McGovern, recentemente nomeado presidente do Comitê Executivo do Congresso sobre a China (CECC) e o co-presidente da bipartidária Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos, juntaram-se a representantes de grupos religiosos perseguidos na China para anunciar em uma coletiva de imprensa a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC, na sigla em inglês) em Washington.

“Estou aqui para incluir o apoio da administração”, disse Brownback em 4 de março. “Estamos profundamente preocupados com as crescentes restrições do regime chinês à prática religiosa, incluindo protestantes, católicos, budistas tibetanos, muçulmanos, Falun Gong e outros”.

Brownback disse que nos últimos anos, novas regras foram aplicadas na China para penalizar todas as atividades religiosas não registradas, incluindo aquelas realizadas por estrangeiros.

“Estamos aqui hoje para ter a oportunidade de ouvir os grupos afetados por essas medidas e para reconhecer oficialmente o lançamento da Coalizão para Promoção da Liberdade Religiosa na China por parte da Mesa Redonda para a Liberdade Religiosa Internacional”, disse ele.

“Acreditamos que a liberdade religiosa é um direito humano universal. (…) É um direito fundamental. Nosso país foi fundado sobre isso. Está na constituição chinesa. Está na Carta das Nações Unidas, na Declaração dos Direitos Humanos. Acreditamos que todas as pessoas no mundo devem ser livres para acreditar ou não acreditar, como entenderem.”

Deputado democrata de Massachusetts, James P. McGovern, fala durante coletiva de imprensa para anunciar a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC) no Auditório do Congresso no Capitol Visitor Center, Washington, em 4 de março de 2019 (Jennifer Zeng / Epoch Times)
Deputado democrata de Massachusetts, James P. McGovern, fala durante coletiva de imprensa para anunciar a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC) no Auditório do Congresso no Capitol Visitor Center, Washington, em 4 de março de 2019 (Jennifer Zeng / Epoch Times)

McGovern disse que estava feliz em ver tantas organizações decidirem se unir — transcendendo diferenças culturais, étnicas e doutrinárias — para trabalhar duro pela liberdade religiosa na China. Ele disse que veio mostrar seu apoio “para reiterar meu compromisso de fazer tudo o que puder como membro do Congresso para ajudar a acabar com a perseguição”.

“Na semana passada, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, me reconduziu como co-presidente da Comissão de Direitos Humanos Tom Lantos e me nomeou presidente do CECC. Portanto, eu tenho algumas ferramentas em mãos e pretendo usá-las da melhor maneira possível “, observou ele.

McGovern disse que fará todo o possível não só para aumentar a visibilidade das violações de direitos humanos na China, mas também para ajudar os norte-americanos a entender por que o que acontece na China é importante.

Lembrando que em 2019 se comemora o 20º aniversário da perseguição ao Falun Dafa na China, ele disse aos repórteres: “A questão do Falun Gong é algo que nos preocupa profundamente. Vamos explorar as opções que temos no próximo mês.”

O ex-representante republicano da Virgínia, Frank Wolf, proferiu um discurso apaixonado em que solicitou especial atenção aos mais de cem Institutos Confúcio instalados nas universidades norte-americanas, bem como às empresas ocidentais que vendem produtos para a China e que contribuem com as violações dos direitos humanos.

Ele disse que todas as universidades que têm um Instituto Confúcio deveriam convidar padres católicos, pastores protestantes, uigures, tibetanos e praticantes do Falun Dafa para falar, e que se o instituto não permitir, ele deveria ser removido da instituição universitária.

Unindo forças

Greg Mitchell, presidente da Mesa Redonda pela Liberdade Religiosa Internacional, disse que Wolf, Brownback e outros vinham recomendando há algum tempo que todos os grupos perseguidos se unissem e se tornassem “uma unidade, uma equipe, e falassem com uma só voz”. (…) e finalmente estamos fazendo isso agora”.

“Ao formar uma coalizão para promover a liberdade religiosa na China, as comunidades de fé perseguidas unem novamente suas vozes em apoio à liberdade religiosa para todos na China”, disse ele.

Mitchell disse que embora a coalizão ainda esteja engatinhando, ele prevê que mais grupos se unirão e organizarão mais atividades para “tentar pressionar o governo dos Estados Unidos a tomar medidas mais concretas para impor sanções à China”.

Mitchell diz acreditar que a coalizão terá um forte impacto como força unida.

Um dos membros da coalizão, Louisa Greve, diretora de Assuntos Estrangeiros do Projeto de Direitos Humanos dos Uigures, sugeriu “pedir o uso da Lei Global Magnitsky para responsabilizar as autoridades chinesas pela bem documentada campanha de opressão contra os uigures e outras comunidades etnorreligiosas da região uigure”, e aprovar a Lei de Política de Direitos Humanos dos Uigures, a Lei de Intervenção Uigure e a Lei de Resposta Humanitária Unificada Mundial.

O Dr. Han Lianchao, vice-presidente de Iniciativas de Poder Cidadão para a China, pediu uma atitude mais dura contra a Huawei e o China Electronics Technology Group, que ajudaram o Partido Comunista Chinês(PCC) a estabelecer um sistema de vigilância nacional pior do que o descrito em “1984” por George Orwell.

Praticantes do Falun Dafa mostram fotos de parentes e advogados de direitos humanos ainda presos na China por praticar ou defender o Falun Dafa, durante coletiva de imprensa em Washington para anunciar a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC) no Auditório do Congresso no Centro de Visitantes do Capitólio, Washington, em 4 de março de 2019 (Jennifer Zeng / Epoch Times)
Praticantes do Falun Dafa mostram fotos de parentes e advogados de direitos humanos ainda presos na China por praticar ou defender o Falun Dafa, durante coletiva de imprensa em Washington para anunciar a formação da Coalizão para Promover a Liberdade Religiosa na China (CARFC) no Auditório do Congresso no Centro de Visitantes do Capitólio, Washington, em 4 de março de 2019 (Jennifer Zeng / Epoch Times)

Relatos de perseguição

Representantes de vários grupos religiosos perseguidos compartilharam suas experiências.

Li Kunrui, ex-policial da cidade de Dalian, na China, disse que a polícia adotou uma cota de prisões quando o PCC decidiu reprimir grupos religiosos. Às vezes, quando a polícia não conseguia prender um número suficiente de pessoas, buscavam ajuda em outras delegacias que haviam prendido mais pessoas do que sua cota dava direito.

Li disse que a polícia costumava usar quartos de hotel para prender e torturar pessoas, já que eles não tinham que cumprir procedimentos legais, como registrar o processo de interrogatório, assim como exigido por lei.

Kuzzat Altay, fundador e presidente da Rede de Empresários Uigures, disse que perdeu contato com seu pai de 67 anos em Xinjiang em fevereiro de 2018. A última mensagem de voz que seu pai lhe enviou foi: “Filho, eles estão me levando”.

Altay disse que não sabe se seu pai ainda está vivo, já que ele tinha problemas de saúde; sua tia de 70 anos já havia morrido em um campo de reeducação.

Os uigures acreditam que “há pelo menos três milhões de pessoas nos campos de concentração”, disse Altay.

Ele disse que a afirmação do PCC de que os uigures estão em campos de treinamento profissional é mentira. Ele disse que pessoas como Tashpolat Teyip, ex-presidente da Universidade de Xinjiang, e Halmurat Ghopur, presidente da Universidade Médica de Xinjiang, não precisam de treinamento profissional mas continuam detidos nos campos.

Altay disse que seu melhor amigo do ensino médio foi levado ao hospital para um exame de sangue e urina. Desde então, sua família não teve mais contato com ele e agora estão preocupados com a possibilidade de ele ter sido morto para a retirada de seus órgãos vitais.

Como não há campos de concentração suficientes para manter todos os uigures, funcionários do PCC hoje vivem em lares uigures para poder vigiá-los, disse Altay. Ele disse que algumas garotas uigures foram estupradas; alguns se casaram “voluntariamente” com esses funcionários para salvar suas famílias.

Enquanto isso, desde 2009, 155 tibetanos atearam fogo em si mesmos como forma de protesto contra o genocídio cultural e religioso movido pelo PCC, disse Bhuchung Tsering, vice-presidente da Campanha Internacional pelo Tibete.

Yu Ming, empresário e praticante do Falun Dafa que escapou da China no final de 2018, passou quase doze anos em prisões e campos de trabalhos forçados. Ele disse que foi repetidamente despido por grupos de policiais e eletrocutado com cassetetes de alta voltagem. Certa vez ele ficou amarrado a uma cadeira de ferro por três meses. A polícia enfiou agulhas sob suas unhas como parte da tortura para forçá-lo a renunciar às suas crenças.

Quando Yu e Sean Lin falaram, representando a Associação do Falun Dafa em Washington, uma dúzia de outros praticantes do Falun Dafa ficaram atrás deles no palco, segurando fotos de familiares ou advogados ainda encarcerados na China, sob acusação de praticar ou defender o Falun Dafa.

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