“Onde vai a imprensa?” a indigesta pergunta de Jawad Rhalib

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A pergunta que desnorteou a imprensa inteira expõe o corporativismo da classe jornalística na sua pior maneira

Por Guilherme G. Villani

O artigo do documentarista e jornalista profissional belga Jawad Rhalib e reproduzida pelo Terça Livre deu o que falar.

Escancarou a militância jornalística esquerdista das redações e a hipocrisia dos demais companheiros de profissão em um ato de corporativismo parecido com o corporativismo que alguns esquerdistas têm com psicopatas do estilo Cesare Battisti.

Todos que li e ouvi até agora, até mesmo quem eu acreditava que tinha alguma isenção – Alexandre Garcia, Jose Nêumanne Pinto e Felipe Moura Brasil – foram socorrer a companheira de profissão e condenar a atitude do presidente ao dar publicidade para o artigo.

Mas o que ninguém se deu ao trabalho de fazer é justamente contrapor as palavras do jornalista dono do artigo. 

Jawad Rhalib – que não é de direita tampouco apoiador de Bolsonaro – atinge o âmago do jornalismo brasileiro ao questionar o rigor jornalístico do mesmo, que julga ser a regra fundamental da profissão.

Diz que  “Se no documentário criativo, a investigação está a serviço da criação com um propósito e um posicionamento a favor de uma causa, nos relatórios, notícias, mídia impressa… …o ativismo não é responsabilidade do jornalista.  O ativismo é uma coisa ruim nesta parte do nosso trabalho, exceto quando se trata de colaborar “abertamente” com um partido ou um políticopor exemplo”.

Antes de terminar o texto com as transcrições revela sua opinião sobre sua pesquisa:

“A conversa registrada entre meu “estudante” (pessoa usada para fazer a entrevista) e Constança Rezende, do (Jornal) O Estado de São Paulo, revela que a real motivação por trás da cobertura negativa da mídia é a de “arruinar” o presidente Jair Bolsonaro e provocar sua demissão. A mídia partidária brasileira que lida com as notícias revela que eles não estão interessados ​​em eventos reais, mas simplesmente usam histórias negativas, muitas vezes inventadas, sobre a família do presidente Bolsonaro, que por sinal foi democraticamente eleito.”

E termina com um gancho na boca do estômago:

“Sejamos claros: não sou fã de Bolsonaro, mas acho que usar o poder da mídia para atacar um presidente através de seu filho é, no entanto, bastante distorcido e inaceitável para o jornalista que sou.”

Estamos diante de dois problema graves que colocam em dúvida tudo aquilo que lemos, ouvimos ou assistimos: 1) O Corporativismo do jornalismo 2) O esquerdismo das redações.

Na minha opinião eles nasceram juntos, naquilo que o Prof. Stephen Kanitz classificou em seu artigo de 2015 como o maior erro da ditadura militar, a emenda constitucional número 9 de 22 Julho de 1964.

Uma semana depois de assumirem o governo, os militares patrocinaram uma emenda constitucional número 9, que se tornaria o maior erro deles, de acordo com Kanitz.

“(Os militares) Promoveram a emenda constitucional número 9 de 22 Julho de 1964, e logo aprovada 81 dias depois, que passou a obrigar todo jornalista, escritor e professor deste país a pagar imposto de renda, algo que nenhum destes faziam desde 1934.

Este é um dos segredos mais bem guardado pelos nossos professores de história, a ponto de nem os novos militares, jornalistas, professores de história e escritores de hoje sabem o que ocorreu de fato.

Os militares terminaram com o Artigo 113 n 36 da Constituição de 1934 e o mesmo artigo 203 da constituição de 1946.

“Nenhum imposto gravará diretamente a profissão de escritor, jornalista ou professor.” 

Por 30 anos foi uma farra, algumas faculdades vendiam diplomas de jornalista “até arcebispo era jornalista.”

Só que com esta medida os militares de 1964 antagonizaram, em menos de dois meses de poder, toda a elite intelectual deste país.

Antagonizaram aqueles que até hoje fazem o coração e as mentes das novas gerações…

…Jornalistas também não pagavam imposto predial, imposto de transmissão, imposto complementar, isenção em viagens de navio, transporte gratuito ou com desconto nas estradas de ferro da União, 50% de desconto no valor das passagens aéreas e nas casas de diversões…

 Não é de se espantar que passado 50 anos os militares continuam sendo perseguidos por comissões da verdade, reportagens, e tudo o mais, apesar dos militares hoje serem outros…

…Tudo aqui é fruto de pesquisa na Internet, que quatro anos atrás havia uma única referência, muito pouco para ser prova histórica. Hoje já temos umas 34 referências, é só pesquisar o trecho da Constituição suprimido.”

O artigo O Grande Erro da Ditadura Militar de Stephen Kanitz é imperdível e absolutamente necessário para entender o ódio da classe jornalística pelos militares.

Acredito que decorrido o fim dos privilégios tributário da classe jornalística o terreno ficou fácil para o partido comunista tomar conta do sindicato dos jornalistas, conforme já mencionou Olavo de Carvalho que naquele tempo era jornalista e do partido comunista.

Anos mais tarde o genial humorista e roteirista Chico Anysio viria dizer um relato inconveniente “O Jornalismo está 95% entregue ao PT, e eu não sou petista”.

Após a frase alguém tenta lhe corrigir: “Quem manda no jornalismo são os diretores”, Chico replica “Isso é o que você pensa, diretores nem tem mais. Depois do computador o diretor lê o jornal depois que ele está editado”.

O Corporativismo

Neste ambiente relatado acima é fácil entender por quê 95% seriam corporativistas, mas e os outros 5% ?

Neste caso vou citar alguns jornalistas que claramente não são de esquerda mas que correram para preservar a colega de trabalho.

Alexandre Garcia, neste video anexo, foi muito rápido em comentar o caso da “fake news”. Disse que achou estranho, que se o presidente fosse checar veria que não foi ela a autora das reportagens sobre o filho dele.

Como assim Alexandre??? Ela escreveu inúmeras reportagens, e foi ESCOLHIDA A DEDO por Jawad Rhalib por ser anti-bolsonarista.

José Nêumanne aparentemente confuso e constrangido, dá voltas para livrar a barra da jornalista. Assista o vídeo. Muda o assunto, tenta relacionar o trabalho de Fernanda Salles no gabinete do deputado Bruno Engler do PSL com o caso de candidaturas laranjas do PSL no Nordeste.

Foi covarde. Nada impede de Fernanda, que é mãe inclusive, de ter dois trabalhos e se posicionar claramente como conservadora e pró-Bolsonaro. Jawab Rhalib em seu texto já havia feito um importante parêntesis na atividade jornalística “O ativismo é uma coisa ruim nesta parte do nosso trabalho, exceto quando se trata de colaborar “abertamente” com um partido ou um político, por exemplo”.

O que me diz senhor Nêummane??

Por fim, quem diria, Felipe Moura Brasil – aluno de Olavo de Carvalho – sendo contrariado por seus próprios leitores em sua página de Facebook. Deixou lá um textão, que nada explica e muito implica.

José Nêummane é contratado do Estadão. A Jovem Pan inteira saiu em coro contra a publicação em um consenso incomum. Não cai bem falar mal da colega que é filha de um jornalista graúdo da Globo, o maior conglomerado de comunicação do país.

Não sei ao certo a motivação do presidente em publicar a matéria do Terça Livre citando o fato de Constança Rezende ser filha de Chico Otávio. A mídia tradicional corre para estabelecer uma conexão da família do presidente com as investigações do caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. Desejo profundamente que seja apenas mais um caso de tentativa de desestabilização do presidente.

O que sei é que Chico Otávio é ligado à diretora esquerdista da Agência de Fact-Checking Lupa Cristina Tardáguila.

A agência de checagem de notícias do grupo Folha é pra lá de questionável. Rodrigo Constantino escreveu um artigo – Agencia Lupa ou Agência LULA? – em que questiona o viés da agência.

“O pessoal está tirando sarro dessas agências, do Facebook e da mídia, mas o assunto é muito sério. Afinal, o poder de influência dessa patota ainda é grande, e estão tentando asfixiar a dissidência, matar o direito ao contraditório, impor uma narrativa única – e falsa…

 O rótulo de “Fake News” pegou porque a mídia mainstream tem mesmo disseminado mentiras aos montes, invertido os fatos, filtrado tudo por sua lente ideológica “progressista”. Os militantes disfarçados de jornalistas foram descobertos e expostos, e é isso que não estão suportando. Precisam dar um jeito de calar esses adversários, de impedir que espalhem esses fatos por aí. Eis, então, que surgem as agências de “checagem de fatos”. Agência Lupa ou Agência Lula?”

Chico Otávio e Cristina Tardáguila são os autores do livro Você Foi Enganado – Mentiras, exageros e contradições dos últimos presidentes do Brasil, lançado em agosto de 2018.

Não li o livro e não pretendo ler depois que assisti o vídeo deste booktuber que avalia negativamente o mesmo e traz alguns questionamento interessantes.

Após a enorme repercussão da publicação do presidente, estranhamente o site de notícias francês solta uma nota em português condenando as “ameaças” (???) solidarizando-se com a jornalista do Estadão e dizendo que as informações são falsas.

O jornalista Jawab Rhalib não se intimidou e acabou de soltar um novo artigo – Esteja Claro.

Desafia o Mediapart e a Imprensa brasileira:

“Meu blog não envolve a responsabilidade editorial e legal da Mediapart, que me oferece um espaço de informação, debates, trocas e discussões, respeitoso da liberdade de expressão. A Mediapart disse no Twitter que a informação publicada em seu site era falsa, eu os convido a perguntar, a cavar como costumam fazer, antes de fazer tal julgamento, questionar nossa investigação e nossa integridade.

Como eles podem alegar que minhas informações ou fontes são falsas quando não têm informações? Eles têm o direito de expressar sua solidariedade para com o jornalista em questão, mas não questionar meu profissionalismo ou o da minha equipe. Não é porque o artigo é, neste caso, favorável a Bolsonaro, que eles têm o direito de se levantar como defensor de um jornalista acusado.

Alguns meios de comunicação brasileiros me acusam de publicar informações falsas, convido-os a perguntar com os interessados. Pessoalmente, eu apenas informei o público. Eu sou tão livre quanto Constança Rezende para publicar minha investigação com base em fatos reais e verificados, bem como em evidências físicas, como gravações de áudio.”

Eu não sei onde vai a imprensa no Brasil. Ao que parece está quase toda unida, no estilo ninguém larga a mão de ninguém, para ser proteger de críticas e atacar quem quer tenha a coragem para contrapô-la.

Infelizmente, diante do estado de coisas, só posso concordar com o Prof. Stephen Kanitz que em seu artigo –Por Que Jornalistas Deixarão de Existir – faz uma afirmação que resume bem o sentimento de muitos brasileiros:

“Quanto mais rápido vocês jornalistas desaparecerem, mais bem informada será a nossa sociedade. Essa é a verdade.” 

Fontes:

https://blogs.mediapart.fr/jawad-rhalib/blog/060319/ou-va-la-presse-blog

http://blog.kanitz.com.br/erro-ditadura-militar/

https://www2.camara.leg.br/legin/fed/emecon/1960-1969/emendaconstitucional-9-22-julho-1964-363037-publicacaooriginal-1-pl.html

http://blog.kanitz.com.br/jornalistas/?fbclid=IwAR3QOk7liVKxU6zNfOtlErNhV0-H0XVE2s1Q1KNl2c1aPue-nEPwduwO1_k

https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/agencia-lupa-ou-agencia-lula/

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/videos/jose-neumanne-a-declaracao-falsa-e-para-livrar-a-cara-do-flavio-bolsonaro,8848506.html

https://blogs.mediapart.fr/jawad-rhalib/blog/120319/soyons-clairs?fbclid=IwAR0y9i0GrIroXRVH1YPWvVTzR-HXkT-7frqrNFnbjiwagDCf3Be50mcAZPs

http://blog.kanitz.com.br/jornalistas/?fbclid=IwAR3QOk7liVKxU6zNfOtlErNhV0-H0XVE2s1Q1KNl2c1aPue-nEPwduwO1_k

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